A Nostalgia do Martelo
Nada como a pura e inquestionável unanimidade para garantir a paz institucional.
Por aclamação, o desembargador Junior Alberto foi eleito presidente do Tribunal de Justiça do Acre para o biênio 2027-2029.
Em um pitoresco resgate histórico, a eleição voltou a ocorrer sob os arcos do majestoso Palácio da Justiça após um hiato de 26 anos.
A partir de fevereiro de 2027, o novo presidente dividirá o palco (e as canetas) com a vice-presidente Waldirene Cordeiro e a corregedora-geral Regina Ferrari.
A arte da botânica imaginária A visão que o jovem João Paulo Bittar nutre pelos estudantes da Ufac segue, com fidelidade canina, a cartilha bolsonarista.
Faz-se mister recordar as palavras do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, que jurava de pés juntos haver “plantações extensivas de maconha” e complexos laboratórios de drogas sintéticas nos campi federais.
O leitor provido de boa memória — e de honestidade intelectual — certamente se recordará dessa viagem alucinógena patrocinada pelo próprio MEC.
A Emenda Pior que o Soneto O vídeo gravado pelo herdeiro de Marcio Bittar — na nobre tentativa de se retratar com a comunidade acadêmica da Ufac pela absoluta falta de bom senso anterior — conseguiu a proeza de ser ainda mais desastroso que a obra original.
Agora, cá entre nós com a memória em dia: este jovem prodígio não é o mesmo que, até ontem, ocupava a presidência da Funtac? Onde foi parar aquele comovente discurso sobre a meritocracia e o vigor da iniciativa privada? Pelo visto, a teoria é linda, mas na prática ninguém resiste aos doces e maternais encantos do erário.
Falar em Estado Mínimo é fácil; difícil mesmo é recusar o aconchego da máquina pública, não é verdade? O dedo clínico de Michelle Melo O eleitorado, com sua inesgotável veia cômica, não perdoa um deslize.
Nas rodas de conversa, a piada pronta é que a nobre deputada tem um faro um tanto peculiar para alianças: dizem as más línguas que ela não soube escolher partido e, quiçá, tenha derrapado nas escolhas do coração.
É o que podemos chamar de um “dedo bom” com precisão cirúrgica para o equívoco, não é mesmo? …e do Alysson Enquanto isso, pelas bandas da Rua Rui Barbosa, Bestene prepara-se para afinar a orquestra com a sua própria partitura.
O velho esquadrão de Tião Bocalom recebe o cortês bilhete azul e retira-se da linha de frente, abrindo as portas do paço municipal para o propalado DNA do novo alcaide.
Na política, afinal, o palco continua o mesmo; apenas trocam-se os donos das tesouras e os inquilinos das cadeiras.
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