São Paulo, Uberlândia, Santa e Inter: a SAF como elemento de (des)conexão
Já se escreveu neste espaço que a SAF, como ideia, ainda não foi normalizada pela maioria da imprensa. Quando uma vai mal, é comum que se reverbere o tropeço e o associe à natureza jurídica. Se é SAF, não pode ser bom.
Por outro lado, quando a SAF vai bem ou quando osucesso se atrela a um projeto de SAF, implementado ou em andamento, o atributo é ignorado ou pouco enaltecido.
Em outro cenário, quando um clube de natureza associativa vai mal, muito mal, é comum que se tenteencontrar solução de resgate no próprio associativismo - ou em dirigentes clubistas -, e afastar a SAF como possibilidade de solucionamento; como se a SAF fosse um problema quase existencial. O melhor exemplo atual é o São Paulo Futebol Clube.
No passado, foi considerado uma das principais referências organizacionais do futebol; atualmente, uma referência do que não fazer. Em recente entrevista, o atual treinador, Dorival Junior, revelou que gramados do centro de treinamento são imprestáveis e podem justificar as recorrentes lesões de atletas. Pior: também se noticiou o corte temporário de luz, em determinada área do Estádio do Morumbi, por falta de pagamento.
Por que essas situações não geram as reações ou a indignação, direcionadas ao associativismo, que gerariam se ocorressem em uma SAF - e por conta da SAF? Por que, ademais, a atual crise política no São Paulo, que coincide com a maior crise econômica da história, não fez surgir um candidato que defenda a SAF como alternativa?
Ao contrário: mesmo que algum candidato pretendesse a SAF, hipótese que se coloca apenas pelo debate, enfrentaria resistência (quase) fatal da estrutura de poder, formada por conselheiros interessados e conflitados e por associados que se preocupam com o social - e com frequência torcem para outro time.
Não por acaso, pouco se trata de sucessos, mesmo que embrionários - e eventualmente conjunturais -, que envolvam SAF.
Conforme informado no sítio eletrônico do clube, por ocasião da aprovação da operação, a assembleia geral realizada em junho de 2025 aprovou a constituição de uma SAF, com apenas um voto contrário e, logo na sequência, também aprovou, por aclamação - portanto, com o voto do mesmo associado dissidente, a proposta de ingresso de determinados investidores, para aquisição de 90% das ações de emissão da companhia.
Em 2026, como se sabe, o Uberlândia sagrou-se campeão brasileiro da série D e em 2027 testará a estrutura na série C. Se não fosse SAF, teria subido? Importa, na verdade, que a novidade pouco ou nada reverberou, nos principais centros, os mesmos que costumam ser implacáveis com fracassos, inclusive momentâneos, de SAF´s.
Dois outros casos merecem atenção: de Pernambuco, o tradicionalíssimo Santa Cruz, que, sob a presidência de Bruno Rodrigues, largou de um ano sem qualificação em campeonato brasileiro para, em dois anos, atingir a série B.
Verdade que o processo ainda não está implementado, mas, quase desde o princípio do mandato, o clube vem tratando de implementá-lo e, durante o percurso, recebeu recursos, adiantados, que viabilizaram pagamentos de salários e outras obrigações.
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