A promessa de ‘legado da COP30’ em Belém começa com um data center sem licença ambiental
Anunciado como “legado da COP30 ”, o data center BEL1 avança em Belém, no Pará, enquanto permanecem sem resposta perguntas sobre licenciamento, consumo de energia, clientes, impactos ambientais no território e benefícios reais para a população amazônica.
Em 9 de julho de 2026, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belém informou, por meio do Ofício nº 484/2026, que não havia recebido qualquer processo de licenciamento ambiental relacionado ao BEL1 , anunciado como o primeiro data center de inteligência artificial da Amazônia.
Não havia pedido de licença, Estudo de Impacto Ambiental, Relatório de Impacto Ambiental ou Estudo de Impacto de Vizinhança.
A própria secretaria ainda buscava saber se o empreendimento deveria ser licenciado pelo município, pelo estado ou pela União.
A resposta seria apenas mais um episódio da desorganização administrativa brasileira se, treze dias antes, o BEL1 não tivesse sido apresentado ao país como um empreendimento praticamente definido: investimento inicial estimado em R$ 250 milhões, capacidade de 7,5 megawatts, possibilidade de expansão para até 100 megawatts e início das operações previsto para o segundo trimestre de 2027.
Segundo a Elea Data Centers, responsável pelo projeto, a capacidade inicial já estaria respaldada pela demanda de grandes “ clientes âncora ”, cujos nomes não foram divulgados.
O empreendimento já tinha localização, fornecedora de energia, investidores, clientes, cronograma e uma narrativa cuidadosamente construída.
É esse contraste que precisa ser discutido.
Legado para quem? A Elea chama o BEL1 de “legado da COP30”.
A palavra legado, entretanto, pressupõe algum benefício coletivo.
E ainda não sabemos, de maneira objetiva, qual será o legado desse empreendimento para quem vive em Belém, nas ilhas próximas e no restante do Pará.
A empresa tem sede no Rio de Janeiro e será responsável pela operação do BEL1.
A energia será fornecida pela Axia Energia, por meio de um contrato de longo prazo.
A Elea, por sua vez, passou ao controle majoritário da I Squared Capital, gestora de investimentos em infraestrutura com sede em Miami.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.intercept.com.br — o conteúdo pertence a Intercept Brasil.