Itália: cientistas usam polvos para travar proliferação do caranguejo-azul
Cientistas italianos tornaram-se criadores de polvo na mais recente batalha de uma longa guerra contra o caranguejo-azul invasor. Conhecidos pelas pinças afiadas de tons azulados, estes animais terão provocado cerca de 200 milhões de euros em prejuízos para a indústria da pesca.
A partir de um arrastão no Adriático, os cientistas libertam cuidadosamente milhares de pequenos polvos, na esperança de travar uma espécie invasora de caranguejo que devastou as pescas locais.
“Escolhemos o polvo porque, em estado selvagem, é um predador formidável de crustáceos”, explicou à agência noticiosa AFP o investigador Antonio Casalini.
Nativos da costa atlântica da América do Norte, os caranguejos-azuis chegaram ao Mediterrâneo há décadas, provavelmente transportados na água de lastro dos navios. Mas em 2023 os seus números dispararam, destruindo marisco pelo qual o delta do Pó, em Itália, é famoso, como mexilhão, “vongole veraci” – uma espécie de amêijoa – e ostras-rosas.
O principal suspeito é a alteração climática . “Com o aquecimento das águas, os caranguejos tornaram-se mais ativos e vorazes”, disse em 2023 o pescador Bellan à agência AP. Quando a temperatura da água desce, os caranguejos comem e reproduzem-se menos, mas recentemente tem acontecido o contrário.
“Normalmente, em certas alturas do ano, quando a água desce abaixo dos 10 °C, este caranguejo não se adapta bem, mas agora encontra a temperatura ideal durante os 12 meses do ano”, explicou Enrica Franchi, bióloga marinha na Universidade de Siena.
Desde então, as autoridades e as associações de pesca têm procurado formas de usar e eliminar estes crustáceos, incluindo o envio de contentores para os Estados Unidos, onde são considerados uma iguaria.
As autoridades da região de Emília-Romanha, cuja capital é Bolonha, afirmaram no ano passado que a espécie provocou ali quase 17 milhões de euros em danos desde 2022.
A organização de agricultores e pescadores Coldiretti estima o valor em cerca de 200 milhões de euros para todo o país, com a região norte do Véneto também fortemente afetada.
“Come tudo, incluindo as jovens amêijoas que estão deitadas no fundo do mar”, diz o pescador e produtor de mexilhão Davide Sanulli, de sobrancelhas espessas e cabelo grisalho, sobre o caranguejo.
Exímios nadadores e com um peso até um quilo, os caranguejos têm poucos predadores naturais, algo que os investigadores esperam mudar.
Uma equipa da Universidade de Bolonha aposta que o polvo-comum pode ajudar a conter o crescimento da população de caranguejo-azul, um crustáceo voraz que devastou a produção de marisco no Adriático.
Lançado no ano passado e financiado pela região da Emília-Romanha, o projeto “Octo-Blu” procura aumentar as populações de polvo como contrapeso aos invasores de carapaça dura.
A equipa cria crias de polvo em tanques brancos de água, num laboratório na cidade portuária de Cesenatico. Quando estão prontas, as minúsculas criaturas invertebradas são retiradas aos milhares para um grande saco de plástico e levadas para o mar, por vezes no robusto barco de pesca azul de Sanulli.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em pt.euronews.com — o conteúdo pertence a Euronews (PT).