O que a carreira de Stan Wawrinka diz sobre nossa relação com João Fonseca
A carreira de Stan Wawrinka como tenista profissional terminou nesta terça-feira, na primeira rodada do ATP 500 da Basileia, com uma derrota até esperada diante do tcheco Jiri Lehecka, número 21 do mundo, por 7/5 e 7/6(2). Foi uma bela última apresentação do veterano suíço, que ainda espanta ao ser tão competitivo aos 41 anos.
Foi uma carreira brilhante. Encantadora. Apaixonante. Uma trajetória diferente das dos maiores ídolos do tênis nos últimos 25 anos e talvez por isso tantos tenham curtido tanto. De certo modo, Stan foi uma espécie de "segundo tenista" de muitos fãs da modalidade. Se o jogo não era contra o seu preferido, a turma torcia por Wawrinka.
Mas foi uma caminhada diferente porque Stan, campeão juvenil de Roland Garros aos 18 anos, chegou ao top 10 aos 23. Não foi tão rápido como os grandes prodígios. E, ainda assim, encontrou ali uma barreira difícil de transpor. Passou os cinco anos seguintes flutuando entre 15-20-25 do mundo. Não saiu do top 30, mas também não brigou consistentemente por títulos de Masters 1000 e slams. Era um tenista talentoso e perigoso, mas não era visto como uma ameaça real ao Big Four. Falei sobre isso no Café Com o Cossenza de hoje. Assista abaixo!
Nesse período, depois de chegar ao top 10, Stan só fez finais em torneios pequenos. Duas vezes em Chenai e uma em Casablanca. Até que chega 2013, e o suíço faz uma partidaça contra Novak Djokovic nas oitavas do Australian Open. "Jogou como nunca, perdeu como sempre", poderiam dizer os haters. Ali, contudo, Stan parece ter destravado algo. Os resultados ficaram mais frequentes. O suíço, agora com 27-28 anos, passou a brigar por coisas maiores. Foi vice no Masters de Madri e fez quartas em Roland Garros (só perdeu para Nadal em ambas ocasiões). Fez semi no US Open (caiu diante de Djokovic).
No Australian Open de 2014, tudo se encaixa. Wawrinka wence Djokovic nas quartas, bate Berdych na semi e derruba Nadal na decisão. Campeão de slam aos 28. Ainda ganharia outros dois slams (Roland Garros em 2015 e US Open em 2016, ambos em cima de Djokovic). Foi campeão olímpico nas duplas em 2008 e da Copa Davis em 2014. Não foi número 1 (na Era do Big Four, só os quatro mesmo alcançaram o topo), mas somou feitos portentosos.
O que isso tudo tem a ver com João Fonseca? O brasileiro ganhou um slam juvenil aos 17 anos, chegou ao top 30 aos 19 anos e, de quebra, chegou às quartas de final de Roland Garros com essa idade, derrotando um Djokovic num jogo de cinco sets. Dois dias depois, abateu Casper Ruud, um cidadão que foi vice-campeão duas vezes no saibro de Paris.
Ainda assim, tem quem ache pouco. Ou que João (que teve uma serie de problemas físicos em 2026) estagnou. Que precisa trocar de técnico. Que já deveria ter ganhado isto ou aquilo e subido mais no ranking. Será que não é exagero esperar tanto? E tão cedo?
Não se trata de afirmar que não pode haver hype. Pode. Deve. E é justo que haja tamanho hype depois de ver o que o João é capaz de fazer. Inclusive o que já fez. O que me parece equivocado é transformar esse hype em uma expectativa desproporcional ou em cobranças por resultados imediatos.
"Ah, mas não pode comparar o João com o Stan". Claro que não.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Esporte.