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Família procura primeira hélice de avião fabricada no Brasil e que foi construída em Curitiba

Bem Paraná ·
Família procura primeira hélice de avião fabricada no Brasil e que foi construída em Curitiba

Para quem gosta de música e/ou conhece um pouco da história curitibana, o nome Essenfelder logo remete a pianos. Isso por causa da F. Essenfelder Ltda, a primeira fábrica de pianos do Brasil e que funcionou em Curitiba por quase 90 anos. Mas essa fábrica e a família que lhe dá nome guarda também uma outra história, que remete a um tesouro perdido e um feito de engenharia. É uma hélice de um avião monoplano Blériot, a primeira fabricada no Brasil e que foi construída na capital paranaense.

Cezar Essenfelder de Azevedo, bisneto de Floriano Essenfelder, é quem conta essa história. Há 20 anos ele está pesquisando esse acontecimento, que teve seu bisavô como protagonista, e em busca de uma hélice do “Bahiano”, o Blériot responsável pelo primeiro voo de avião em Curitiba, realizado no dia 5 de abril de 1914 pelo piloto paulista Cícero Arsênio Marques.

O voo aconteceu no campo do Prado Velho, onde hoje fica a PUC. E só foi dar certo na segunda tentativa: na primeira, choveu. A ideia era fazer uma série de apresentações aos curitibanos, mas quase que tudo foi por água abaixo logo na primeira apresentação bem sucedida. “Esse avião decolou do Prado Velho, fez várias voltas em cima da plateia, voou em cima da Catedral… Mas quando foi fazer a primeira aterrissagem, a hélice bateu no terreno irregular e quebrou”, relata Cezar.

Aí começou o problema: trazer uma outra hélice da Europa demoraria pelo menos três meses. Mas um dentista chamado Jorge Leitner tinha uma “solução caseira”, e sugeriu que fossem falar com Floriano, o homem que fazia pianos e arrumava espingardas. E ele recebeu a peça partida como quem recebe um enigma. Nunca tinha visto uma hélice inteira e, para arrumar, tinha que se virar olhando só para um fragmento diante de si.

Ainda assim, pediu autorização do pai e foi para a oficina. Escolheu madeiras da própria fábrica de pianos, como imbuias e araucárias. Madeiras paranaenses. E ao longo de semanas ele talhou, comparou, corrigiu, recomeçou. E não fez uma hélice, mas oito: se a primeira falhasse, havia outras para testar. Mas ela não falhou, e menos de 21 dias depois do pequeno acidente o bahiano já estava voando de novo. Foi a primeira hélice de avião feita no Brasil, e que acabou se mostrando até mais leve e resistente que a original europeia.

“Meu bisavô fez oito hélices, e hoje não tem mais nenhuma. Todas sumiram”, lamenta Cezar. “Acredito que alguma dessas hélices esteja guardado no forro da casa de alguém, no escritório de alguma pessoa como objeto de decoração. Queria achar ela”, conta ele, que sonha em encontrar a estrutura e mostrá-la para sua mãe, Solange, de 80 anos.

A hélice do Bahiano, relata Cezar, é uma peça bem diferente, o que pode facilitar em sua identificação. Ela é feita em madeira escura, envernizada, com duas pás – de ponta a ponta, do tamanho de uma pessoa: cerca de dois metros. De perto, a madeira mostra camadas coladas, como listras paralelas de tons diferentes, parecido com uma grande tábua de corte.

As pás são mais largas perto das pontas, num formato de remo — diferente das hélices modernas, finas e uniformes.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bemparana.com.br — o conteúdo pertence a Bem Paraná.

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