BTS faz show grandioso e mais próximo dos fãs em retorno ao Brasil após sete anos
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Uma plateia de 85 mil pessoas no estádio Morumbis canta, em coreano, uma canção folclórica que é um hino não-oficial da Coreia do Sul, "Arirang". Os integrantes do BTS deixam os microfones de lado e observam o coro, enquanto telões exibem fãs usando "hanbok", vestimenta tradicional. O trecho surge na música "Body to Body" e é momento-chave no show do grupo de k-pop .
O BTS retorna ao Brasil para três apresentações, a primeira delas realizada nesta quarta (28), em São Paulo, após sete anos. Agora, consolidado como o maior artista do pop sul-coreano e o grande responsável por expandir não só a música, mas a cultura coreana para todo o mundo.
A celebração das raízes da terra natal é o mote da turnê "Arirang". É uma mudança de rumo do grupo, que vinha apostando numa estética e som chicletes e músicas cantadas inteiramente em inglês, mirando o mercado ocidental.
O septeto entrou em pausa em 2022 para que os integrantes —Jin, Suga, RM, J-hope, Jimin, V e Jungkook- prestassem o serviço militar obrigatório no país asiático. O retorno oficial foi em março, e havia expectativas sobre qual rumo tomariam: retomando o estilo antigo, desejado por parte dos fãs, ou mantendo o pop mainstream. O álbum "Arirang" mescla os dois.
A mudança é também estratégia da gravadora. Em documentário da Netflix, o criador do BTS, Bang Si-hyuk, afirma que seria icônico ver milhares de estrangeiros cantando o sample da canção folclórica. A ideia foi abraçada pelas fãs, que a transformaram numa competição para ver qual plateia canta mais alto.
Os elementos que resgatam a cultura tradicional coreana surgem ao longo da apresentação, em sons, imagens, figurinos e performances dos dançarinos. Antes do show começar, canções instrumentais tocavam e os telões exibiam imagens sobrepostas com a silhueta dos cantores e frases em coreano, sem tradução.
Às 20h, os sons folclóricos deram lugar a sintetizadores e as batidas fortes de hip hop de "Hooligan". As imagens começaram a queimar e entrou vídeo ao vivo dos cantores chegando ao palco, vindos do gramado, entre os fãs.
O show foi bem diferente daquele de 2019, no Nubank Parque (antigo Allianz Parque), e fugiu do protocolo do gênero. A boyband abandonou elementos característicos, como os vídeos curtos com historinhas exibidos nas trocas de roupas, mais de um bis e as brincadeiras e longas pausas para conversar com o público.
Eles foram diretos e destacaram as músicas ao longo de 2h20. As coreografias intensas pelas quais ficaram conhecidos ficaram de lado: eles não dançavam na maioria das canções, com exceções como "Mic Drop", e em outras dançaram apenas o refrão. Tampouco fizeram apresentações solo.
Ainda assim, conseguiam preencher o palco e manter a animação da plateia, que pulava sem parar. Os fãs também balançavam os "lightsticks", bastões de luz que sincronizam com as canções, e batiam leques. Os astros passeavam pelas passarelas, interagindo com os presentes sem roteiro.
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