Conta do Bolsa Família pode elevar preço fiscal de eventual Lula 4, diz analista
O reajuste de 15% do Bolsa Família , anunciado nesta quinta-feira (17) pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prevê um custo estimado de R$ 5,6 bilhões para os últimos meses de 2026 , mas é a conta do próximo ano que pode trazer consequências mais duradouras para a percepção do mercado sobre a política fiscal.
Segundo Bárbara Baião, analista de política da XP, o impacto projetado de R$ 22 bilhões em 2027 aumenta as dúvidas sobre como um eventual quarto mandato do presidente conciliaria a ampliação das despesas sociais com a necessidade de ajustar as contas públicas.
“O que me parece que é o mais caro nessa conta agora é a perspectiva de que, no Lula 4, há uma ampliação da desconfiança do mercado em relação à boa vontade do governo com ajustes de contas”, afirmou no Mapa de Risco , programa de política do InfoMoney , desta sexta-feira (18).
O governo argumenta que há espaço no Orçamento deste ano para bancar o aumento.
Para Baião, porém, essa justificativa não resolveu as preocupações dos agentes financeiros.
Revisão de gastos do INSS abriu espaço para reajuste no Bolsa Família, diz ministro A discussão envolve principalmente a permanência da despesa.
O reajuste chega em um momento em que as despesas obrigatórias já comprimem o espaço para investimentos e outros gastos discricionários.
“Agora dá, mas o mercado entende que já não dava para pagar essa conta, R$ 22 bi a mais, enfim, nem com o arcabouço com parâmetro do jeito que está, para nem entrar na discussão de dívida”, afirmou.
A consequência, na avaliação da analista, pode aparecer depois da eleição.
Caso Lula seja reeleito, o governo teria de reforçar os sinais de compromisso com o equilíbrio das contas para recuperar a confiança perdida.
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Entre as sinalizações estavam um possível endurecimento dos parâmetros do arcabouço, medidas para reduzir o crescimento das despesas obrigatórias e a revisão de benefícios considerados irregulares.
O aumento do Bolsa Família, anunciado a 17 dias do primeiro turno, colocou novas dúvidas sobre esse cenário.
Na avaliação da analista, a decisão reforça a percepção de que, em um novo mandato, Lula tenderia a priorizar a agenda social como parte de seu legado político.
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