Microplásticos fazem mal pra você. Mas como eles agem? Estudo pode ter descoberto
Os microplásticos já foram associados a diversos problemas de saúde, mas uma pergunta ainda intriga os cientistas: como exatamente essas partículas prejudicam organismo? Um novo estudo pode ter encontrado parte da resposta ao revelar que, em determinadas condições, elas são capazes de produzir moléculas potencialmente nocivas às células.
A descoberta, publicada em 14 de outubro na revista Nature, foi feita por pesquisadores da Universidade Columbia, nos Estados Unidos.
Em experimentos de laboratório, a equipe observou que partículas de plásticos comuns podem gerar moléculas altamente reativas quando entram em contato com a água.
O fenômeno também foi identificado no soro sanguíneo, embora com menor intensidade.
Estudos anteriores já haviam associado a exposição aos microplásticos a problemas como doenças cardiovasculares e déficits cognitivos.
No entanto, os mecanismos responsáveis por esses possíveis efeitos ainda não são totalmente conhecidos.
Uma das hipóteses envolve as chamadas espécies reativas de oxigênio, moléculas que podem reagir com componentes das células e contribuir para processos inflamatórios e danos celulares.
O curioso é que muitos plásticos comuns não contêm oxigênio em sua composição química e, por isso, não deveriam apresentar uma atividade tão intensa.
"Do ponto de vista da química pura, eles deveriam ser inertes [ter baixa reatividade química]", explicou Wei Min, pesquisador que liderou o estudo, à New Scientist.
O plástico e a água Para investigar o fenômeno, os pesquisadores analisaram micropartículas de diferentes tipos de plástico, incluindo poliestireno, polietileno e polipropileno.
Usando as técnicas de microscopia de fluorescência e espectroscopia de ressonância de spin eletrônico, a equipe identificou a formação espontânea de radicais hidroxila - um tipo de espécie reativa de oxigênio - na região de contato entre o plástico e a água.
Segundo os cientistas, isso acontece porque a interação entre os dois materiais pode gerar cargas elétricas na superfície das partículas.
Essas cargas facilitam a retirada de elétrons de íons hidróxido (OH⁻) presentes na água, favorecendo a formação dos radicais hidroxila.
Por serem altamente reativos, esses radicais podem interagir com diferentes componentes biológicos e provocar danos às células.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.