Quando o Mary Rose foi erguido do mar em 1982, arqueólogos já haviam recuperado mais de 19.000 objetos e restos de até 300 tripulantes, quatro séculos depois do naufrágio que matou quase todos a bordo
Objetos pessoais, ferramentas e milhares de ossos ajudaram a reconstruir a vida da tripulação do navio Tudor perdido em 1545
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Quase quatro séculos depois de desaparecer sob as águas do sul da Inglaterra, o naufrágio do Mary Rose revelou uma cápsula do tempo extraordinária. Armas, roupas, ferramentas, utensílios e milhares de ossos permitiram reconstruir não apenas a história do navio de Henrique VIII, mas detalhes surpreendentemente pessoais dos homens que estavam a bordo.
O Mary Rose afundou em 19 de julho de 1545 durante um confronto contra uma frota francesa no Solent, próximo a Portsmouth. Documentos da época não concordam totalmente sobre a quantidade de homens embarcados: uma relação de 1545 indica 500, enquanto o chamado Anthony Roll registra 415 tripulantes.
Relatos contemporâneos também apontam cerca de 500 homens, número considerado plausível pelos pesquisadores atuais. Quanto aos sobreviventes, o Mary Rose Trust fala em aproximadamente 30 pessoas, e não exatamente 35. Isso significa que a grande maioria dos homens que estava no navio morreu no desastre.
As escavações subaquáticas realizadas antes e depois do levantamento do casco recuperaram uma quantidade extraordinária de material. Hoje, a coleção do Mary Rose reúne mais de 19 mil objetos encontrados no sítio arqueológico, muitos deles preservados porque permaneceram protegidos no ambiente pobre em oxigênio sob sedimentos marinhos.
Entre os achados que ajudam a reconstruir a vida da tripulação estavam.
O vídeo abaixo acompanha a história e a conservação do Mary Rose, incluindo o momento em que o casco foi retirado do mar em 1982 e o enorme trabalho necessário para impedir que a madeira se deteriorasse depois da exposição ao ar.
A afirmação de que foram recuperados “restos de 300 tripulantes” precisa de uma pequena correção. Cerca de 9 mil elementos ósseos humanos foram escavados, mas isso não corresponde a 9 mil pessoas. Estudos osteológicos determinaram um número mínimo de 179 indivíduos representados pelos restos encontrados.
Considerando a porção do navio que não sobreviveu e a distribuição dos ossos, pesquisadores estimam que os restos possam representar originalmente algo próximo de 300 indivíduos. Até hoje, foi possível reconstruir parcialmente 98 esqueletos relativamente completos, que continuam sendo analisados com diferentes técnicas científicas.
Os arqueólogos não encontraram apenas equipamentos militares. Baús preservavam ferramentas e pertences que ajudaram a associar determinados conjuntos a ocupações específicas, como carpinteiro, cirurgião, artilheiro e responsável pelos suprimentos. Marcas de esforço repetitivo nos esqueletos também forneceram pistas sobre o trabalho realizado durante a vida.
Sapatos, pentes, tigelas, canecas, instrumentos musicais e jogos mostram um lado cotidiano raramente preservado em documentos oficiais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.