Durigan usa imprecisões ao defender política fiscal de Lula
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem feito declarações em defesa da política fiscal do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas quais usa imprecisões.
Durigan afirmou em entrevistas a jornalistas que a alta da inflação é consequência da elevação do preço do petróleo por causa da guerra no Oriente Médio.
O impacto dos preços do petróleo de fato existe.
Mas analistas de mercado também criticam o excesso de gastos do governo.
Os textos elípticos do BC (Banco Central) contêm críticas a itens da política fiscal.
A autoridade monetária indica, de forma comedida, que a inflação e os juros poderiam ser inferiores aos patamares atuais com medidas que resultassem em maior controle de gastos e menos crédito subsidiado na economia.
O ministro diz que o governo Lula zerou o deficit público primário (sem o pagamento de juros).
Mas vários gastos não são contabilizados pelo governo para o cumprimento da meta fiscal.
Durigan critica a política fiscal do governo de Jair Bolsonaro (PL).
Mas não diz que a dívida pública em dezembro de 2022, último mês de Bolsonaro como presidente, era menor que a atual em relação ao PIB (Produto Interno Bruto).
Na avaliação do ministro, a dívida cresce por causa dos juros.
Ocorre que os juros estão altos porque o Banco Central é obrigado a elevar a taxa Selic para puxar a taxa de inflação para dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (do qual faz parte o Ministério da Fazenda, comandado por Durigan).
E por que a inflação está fora da meta? Porque os gastos públicos elevados aquecem a economia, há aumento de demanda e, por consequência, de preços.
Em suma, a contabilidade do BC, que tem autonomia administrativa, mostra que os gastos públicos também têm impacto na dívida, ainda que menor que os juros.
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