Laudo: álcool afetou capacidade de decisão de Esquerdogata ao ofender PMs
Um laudo médico legal concluiu que a influenciadora Aline Bardy Dutra, conhecida como Esquerdogata , tinha a capacidade de decisão prejudicada pelo consumo de álcool quando ofendeu policiais militares e proferiu injúrias raciais em Ribeirão Preto (SP), no ano passado. Nas redes sociais, Aline tem mais de 856 mil seguidores.
Perícia indicou que Aline tem síndrome de dependência de álcool e transtorno de personalidade emocionalmente instável. O documento, produzido pelo Imesc (Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo) em março de 2026 e obtido pelo UOL , apontou que a mulher apresenta comportamentos impulsivos e reativos e, essas condições, associadas ao uso de álcool, afetaram a capacidade de autodeterminação dela no episódio. O exame foi realizado após pedido da Justiça. Em março de 2026, Aline virou ré pelos crimes de desacato, resistência e injúria racial contra os policiais militares.
Todavia, a perícia apontou que a influenciadora não estava em situação de total incapacidade para compreender que sua conduta era ilícita. A perita ainda escreveu que a mulher sabia dos efeitos do álcool em seu corpo e que o consumo não ocorreu por caso fortuito ou de força maior, mas voluntariamente.
Exame também apontou que a necessidade de tratamento ambulatorial para a influenciadora, que já realiza. Em relação ao transtorno relacionado ao uso de álcool, indica a abstinência de ao menos 12 meses para não ser mais considerada dependente. Quanto ao transtorno de personalidade, o tratamento seria a realização de psicoterapia, sem prescrição de prazo para melhora.
Segundo relatado pela mulher na perícia, ela já chegou a ser internada para tratamento de alcoolismo. Aline afirmou no exame que estava sob o efeito de álcool quando ofendeu os agentes em Ribeirão Preto em 2025 e citou que passou por episódios parecidos anteriormente envolvendo abordagens policiais e desdobramentos judiciais.
Audiência do caso foi realizada ontem pela Justiça e Aline foi ouvida. A informação foi confirmada ao UOL pelos advogados dela, Douglas Marques e Roberto Bertoldo, que acompanharam a influenciadora na etapa judicial. Em razão do fim da audiência, a fase de produção de provas no processo foi finalizada e a Justiça determinou que a defesa apresente os argumentos finais.
Aline foi detida ao gravar a abordagem de policiais militares em uma rua no centro de Ribeirão Preto em 25 de outubro de 2025. Segundo relatório de ocorrência, ela teria cometido injúria racial ao falar da forma como os PMs agiram , afirmando que os policiais só abordavam pessoas pretas: "um preto f* outro preto".
Vídeos mostram a mulher perguntando mais de uma vez quantos seguidores os militares tinham. Nos registros de testemunhas, ela diz que tem um milhão de seguidores, afirma que é militante e chama os policiais de "fascistinhas".
"Isso vai me fazer deputada federal, você sabia disso, né?", afirmou a influenciadora. Aline também falou que o salário dos policiais é baixo e compara: "Minha sandália vale o carro de vocês".
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