Ex-executivo acusa Meta de priorizar engajamento em vez da segurança de crianças
Um ex-executivo da Meta afirmou em tribunal nesta quarta-feira, 19, que a segurança de crianças e adolescentes não ocupava posição prioritária nas decisões sobre Facebook e Instagram e que mudanças nos produtos dependiam, em última instância, da direção de Mark Zuckerberg .
Arturo Bejar, que trabalhou na empresa em dois períodos, depôs no segundo dia de um dos mais importantes julgamentos já realizados nos Estados Unidos sobre a responsabilidade das redes sociais pelos efeitos de seus produtos sobre crianças e adolescentes.
Segundo Bejar, Zuckerberg tinha influência direta sobre as decisões de produto e, quando uma iniciativa era considerada prioritária pelo CEO, a empresa conseguia mobilizar rapidamente recursos para implementá-la.
O problema, segundo o ex-executivo, era que a segurança infantil não recebia esse mesmo tratamento.
O depoimento é particularmente relevante porque Bejar não é apenas um ex-funcionário crítico da empresa.
Continua após a publicidade Ele trabalhou em equipes responsáveis por segurança e bem-estar de usuários e já havia apresentado ao Congresso americano e a outros tribunais relatos sobre problemas envolvendo adolescentes nas plataformas.
A Meta contesta suas acusações e afirma que Bejar extrapola a experiência que teve na companhia e apresenta conclusões que não correspondem às políticas e aos esforços adotados pela empresa.
O que está em jogo no julgamento O processo é movido por uma coalizão de 29 estados americanos.
Continua após a publicidade Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey lideram a ação que acusa a Meta de ter desenvolvido Facebook e Instagram para manter crianças e adolescentes conectados por mais tempo.
Mesmo diante de riscos conhecidos para a saúde e o bem-estar dos usuários.
Os procuradores também acusam a empresa de ter enganado consumidores sobre a segurança de seus produtos e de ter violado a legislação federal que protege a privacidade de crianças menores de 13 anos.
A Meta rejeita as acusações e sustenta que não criou deliberadamente produtos para prejudicar crianças.
A empresa também afirma que adotou medidas para aumentar a segurança de usuários jovens e contesta a existência de uma relação causal direta entre o uso de suas plataformas e os problemas de saúde mental alegados pelos estados.
Continua após a publicidade O julgamento ocorre em um tribunal federal de Oakland, na Califórnia, e deve durar cerca de seis semanas.
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