Durigan defende revisão de privilégios na Previdência
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo estuda criar regras para cobrar contribuição previdenciária de empresas que concentrem grande parte da força de trabalho em contratos com pessoas jurídicas.
Segundo ele, a medida seria uma forma de combater a “pejotização abusiva” e ampliar a proteção social de trabalhadores que, na prática, mantêm relação semelhante à de empregados com carteira assinada.
Em entrevista ao Estadão/Broadcast publicada nesta 3ª feira (25.ago.2026), Durigan disse que uma companhia com 10% dos trabalhadores contratados como PJ pode estar só terceirizando serviços, mas que uma situação em que 80% da equipe esteja pejotizada exige outro tipo de avaliação.
“Eventualmente você pode ter que obrigar essa empresa a ter uma contribuição previdenciária para nivelar e poder oferecer para esses 80% de seus trabalhadores um futuro um pouco mais protegido do ponto de vista de Seguridade Social” , declarou.
O ministro afirmou que a equipe econômica estuda o tema e já realizou debates sobre uma eventual proposta ao Congresso.
Para ele, o país precisará enfrentar distorções na Previdência diante do envelhecimento da população.
Durigan citou como problemas a baixa contribuição e a inadimplência de parte dos microempreendedores, além de benefícios que considera excessivos entre militares e setores do funcionalismo público.
Disse que há uma “elite do funcionalismo” com privilégios que contribuem para o déficit previdenciário.
“Existem privilégios na Previdência que me incomodam muito, seja olhando do lado dos militares, seja olhando em alguns aspectos do servidor público, não em geral” , afirmou.
Segundo ele, as mudanças precisam ser discutidas junto com medidas para estimular pequenos empreendedores a contribuir para a Previdência.
Na área fiscal, Durigan reafirmou que o governo pretende entregar resultado primário positivo em 2027.
Disse que o orçamento a ser enviado ao Congresso terá meta de superávit equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto.
Também afirmou que continua buscando um resultado positivo ainda em 2026.
O ministro disse ainda que os subsídios concedidos neste ano para conter o impacto da alta dos combustíveis não serão mantidos.
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