IPOs de tecnologia ensaiam retomada e reacendem debate sobre poder e inovação nas empresas
A possibilidade de uma nova onda de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) coloca empresas de tecnologia diante de uma decisão que vai além de captar dinheiro: continuar privadas ou passar a responder também aos investidores da bolsa.
O debate ganhou força com as movimentações de companhias de inteligência artificial (IA), como OpenAI e Anthropic , que precisam financiar investimentos bilionários em infraestrutura, mas ainda avaliam quando e em quais condições devem abrir seu capital.
O movimento ocorre em um mercado que apresenta sinais de recuperação, mas ainda depende de poucas operações de grande porte.
Para especialistas ouvidos pelo IT Forum, a discussão não envolve apenas a capacidade dessas companhias de levantar recursos.
Uma abertura de capital pode modificar as relações de poder entre fundadores, investidores e conselhos de administração, além de influenciar decisões sobre investimentos, produtos e preços.
Essas transformações também interessam às empresas que utilizam suas tecnologias.
À medida que sistemas de IA passam a fazer parte de operações críticas, decisões tomadas pelos fornecedores podem afetar diretamente custos, contratos e continuidade dos negócios.
Leia também: [inserir link] Por que as grandes empresas de tecnologia demoram mais para abrir capital? Em 1997, a Amazon chegou à bolsa três anos depois de sua fundação, captando cerca de US$ 54 milhões.
Desde então, o intervalo só aumentou: o Google abriu capital em 2004, após seis anos, e levantou cerca de US$ 1,67 bilhão.
O Facebook, hoje Meta , chegou em 2012, oito anos depois de criado, com cerca de US$ 16 bilhões.
A Uber esperou 10 anos e captou cerca de US$ 8,1 bilhões em 2019.
O Airbnb abriu capital em 2020, 12 anos depois da fundação, e levantou cerca de US$ 3,5 bilhões.
A mudança está relacionada à expansão do mercado de investimentos privados.
Fundos de capital de risco (venture capital), que financiam empresas com alto potencial de crescimento, e de participações privadas (private equity), voltados a participações em negócios, passaram a movimentar volumes maiores de recursos.
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