“Basta uma ordem”: cartório eleitoral ameaça mesária que questionou censura e ela acaba afastada
Uma presidente de seção eleitoral com 24 anos de atuação nas eleições foi afastada do segundo turno no Rio de Janeiro depois de questionar uma ordem transmitida pelo cartório da 5ª Zona Eleitoral de Copacabana.
A determinação exigia que mesários retirassem manifestações políticas de suas fotografias pessoais de perfil no WhatsApp.
Ao pedir explicações e solicitar o documento que fundamentava a exigência, Muriel Aparecida de Souza ouviu que “basta uma ordem” e acabou substituída, mesmo sem descumprir a orientação.
A Fórum teve acesso a mensagens, áudios e ao despacho judicial que formalizou a substituição.
Os documentos mostram que o interlocutor do cartório reconheceu expressamente que Muriel não utilizava fotografia de apoio a candidato, mas passou a questionar sua permanência na função quando ela contestou a medida.
O episódio começou no sábado (17), horas depois de uma mobilização nacional convocada pelo deputado André Janones (Rede-MG), que levou apoiadores de Lula (PT) a publicar fotos de verde e amarelo, fazendo o gesto do L.
No mesmo dia, às 21h03, uma mensagem enviada ao grupo institucional dos presidentes de seção da 5ª Zona Eleitoral pediu a retirada de fotografias com manifestações de preferência eleitoral.
Cartório eleitoral ameaça mesária após ordem sobre fotos pessoais Na mensagem inicial, enviada por um número identificado no WhatsApp como pertencente à 5ª Zona Eleitoral, o administrador afirmou estar sendo chamado à atenção pela equipe do juiz em razão das fotografias dos integrantes do grupo.
Em seguida, escreveu: “Então vou primeiramente e somente pedir.
Por favor mudem a foto de perfil de vocês”.
O mesmo comunicado mencionava a possibilidade de afastamento de colaboradores que não seguissem a orientação: “Não gostaríamos de perder nenhum de vcs por um entendimento diverso do que a nossa Zona de Copacabana espera de vcs”.
O interlocutor acrescentou que aguardaria até segunda-feira para avaliar as atitudes dos participantes.
Mensagem enviada ao grupo institucional no sábado (17), às 21h03.
Reprodução/WhatsApp O administrador também descreveu a reta final da eleição como uma “pequena guerra particular para que sejam feitas eleições limpas” .
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