O que causou a inundação relâmpago que deixou 95 mortos no Nepal e Tibete
Uma avalanche de lama sobre um rio na fronteira do Himalaia, entre o Nepal e o Tibete chinês, nesta quarta-feira, 26, provocando enchentes catastróficas que engoliram casas, estradas, pontes.
O número de mortos subiu para 95 pessoas no lado nepalês, segundo os dados mais recentes, com centenas de desaparecidos.
Do outro lado da divisa, um deslizamento de terra atingiu o Porto de Gyirong, importante passagem terrestre para o território tibetano, bloqueando vias, causando um apagão nas telecomunicações e interrompendo o fornecimento de energia para a região.
Dezenas de pessoas também ficaram feridas e mais de 380 turistas, incluindo 291 estrangeiros que estavam na área conhecida por suas rotas de peregrinação hindu, são dados como desaparecidos.
Qual foi o gatilho da tragédia? O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, confirmou as suspeitas de que um terremoto provocou uma avalanche de gelo e rochas no Himalaia, a qual, por sua vez, provocou uma cheia repentina no rio Lhende Khola, que atravessa tanto o Nepal quanto o Tibete.
Em seguida, vieram as enchentes relâmpago nos vales abaixo.
Enquanto isso, a agência de notícias estatal chinesa Xinhua informou que os danos em solo tibetano estão conectados a um deslizamento de terra ocorrido no lado nepalês das montanhas.
O dano se estendeu até o condado de Gyirong, no Tibete.
Autoridades no Nepal alertaram que uma segunda inundação pode ocorrer, uma vez que o rio Lhende Khola segue obstruído.
Alertas de inundação também foram emitidos nos estados indianos de Bihar e Uttar Pradesh, que fazem fronteira com o Nepal, visto que vários rios descem do Himalaia em direção às suas planícies.
Continua após a publicidade “O rio Lhende Khola transbordou duas vezes em quatorze meses; desta vez, o evento foi desencadeado por uma avalanche de gelo e rocha proveniente de uma geleira no lado nepalês, que bloqueou o rio e liberou uma onda repentina de água rio abaixo”, disse Saswata Sanyal, especialista do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), em Katmandu.
“Em um Himalaia que sofre com o aquecimento global, a primeira linha de defesa é o alerta precoce”, acrescentou ele.
A região do Himalaia, que abrange o Nepal e vários países vizinhos, é particularmente vulnerável a chuvas fortes, inundações e deslizamentos de terra, pois está aquecendo mais rapidamente do que o restante do mundo devido às mudanças climáticas causadas pela ação humana.
Pesquisas indicam que eventos climáticos extremos, como ondas de calor e tempestades intensas, bem como o derretimento de geleiras, têm se tornado mais frequentes na região.
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