Estudo revela como gravidez na adolescência afeta renda e trabalho
Jovem que passou parte da infância e adolescência em Campo Grande viu os planos de seguir carreira na Aeronáutica mudarem após engravidar aos 18 anos.
A trajetória da sul-mato-grossense integra um levantamento nacional sobre os impactos da gravidez precoce nos estudos, no trabalho e na vida adulta.
Realizado pela Plan International Brasil, o estudo “Marcas do Tempo – Gravidez na Adolescência e seus Impactos na Vida de Mulheres no Brasil” ouviu 1,5 mil mulheres de 19 a 29 anos de todas as regiões do País.
Dessas, 300 tiveram uma gestação antes dos 20 anos, sendo que 9% moravam no Centro-Oeste.
O levantamento não informa quantas eram de Mato Grosso do Sul, mas inclui o relato de uma moradora do Estado.
Identificada pelo nome fictício de Mariana, ela tem hoje 26 anos.
Viveu até os 8 com o pai e a avó em uma fazenda no interior de Mato Grosso do Sul e depois se mudou para a Capital para morar com a mãe.
Ainda criança, ajudava nas tarefas domésticas e cuidava da irmã mais nova enquanto a mãe trabalhava.
Dedicada aos estudos, Mariana concluiu o ensino médio aos 16 anos e passou os dois seguintes se preparando para um concurso da Aeronáutica.
Segundo o relato, dormia cerca de duas horas por noite, alimentava-se mal e fazia bicos para conseguir renda enquanto estudava.
Aos 18 anos, após perder 20 quilos e apresentar anemia severa, procurou uma unidade de saúde e descobriu que estava grávida.
Na mesma época, passou no concurso da Aeronáutica, mas precisava viajar a São Paulo para fazer exames presenciais.
Sem dinheiro para hospedagem e para os procedimentos, acabou não indo.
“E aí também eu fiquei grávida.
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