Durigan admite que ajuste fiscal rigoroso é necessário para reduzir juros
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu hoje que irresponsabilidade fiscal deve provocar o mesmo repúdio que existe contra a inflação. Em fala durante evento em São Paulo, ele afirmou que a redução da taxa básica de juros no país passa por uma política de gastos públicos que seja responsável e acertada pelos diferentes Poderes.
Durigan afirmou a necessidade de um novo tratamento da responsabilidade fiscal. "A mesma intolerância que nós temos para a inflação alta, a gente tem que ter com a irresponsabilidade fiscal", disse durante a 27ª Conferência Anual Santander, em São Paulo. Na avaliação, ele recordou a experiência da hiperinflação e das trocas de moeda nos anos 1980 e ressaltou que a estabilidade monetária foi um "ganho civilizacional" .
Não dá para discutir o cenário político, com toda divisão de Poderes e a polarização, se a gente não tiver todos defendendo a responsabilidade fiscal. Dario Durigan
Ministro da Fazenda afirmou que pretende ajudar a reduzir o prêmio de risco e os juros ao reforçar o ajuste fiscal. Para Durigan, o governo fez um ajuste de aproximadamente dois pontos porcentuais do PIB (Produto Interno Bruto) e que o desafio precisa ser replicado adiante. Na avaliação do ministro, o desafio de reduzir os juros é essencial para o desenvolvimento do país, que emite títulos, e para as conversas com empresários.
Ministro disse que o governo "praticamente zerou" o déficit público e que ainda precisa estabilizar a dívida. Para ele, desde 2024 o resultado primário tem contribuído para a previsibilidade. "Como a gente fez um ajuste de aproximadamente 2 pontos porcentuais do PIB, nesta gestão, esse desafio precisa ser replicado daqui para a frente. E, ao demonstrar que nós vamos fazer isso, eu espero que a gente avance para a etapa de redução da taxa de risco."
Ministro destacou que discutir crédito no Brasil exige "juros civilizados". Ele disse que um dos caminhos para chegar a esse patamar é enfrentar a questão fiscal e dar tranquilidade sobre a trajetória das contas públicas. Para isso, ele reiterou que o governo vai perseguir a trajetória de resultado fiscal prevista no PLDO (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) e afirmou que, desde 2023, as Leis de Diretrizes Orçamentárias projetam um caminho para o superávit fiscal.
Como aconteceu com a inflação, nós não vamos tolerar irresponsabilidade fiscal daqui para a frente. Dario Durigan
Durigan disse que não vê motivo para medo da reforma tributária. Para o ministro, seria mais preocupante é manter o sistema atual. "O que me assusta é olhar para a situação tributária brasileira hoje e imaginar que a gente pudesse seguir dessa forma", afirmou.
Ministro afirmou que o governo vai intensificar comunicação e diálogo com setores afetados. Ele citou conversas com o Conselho Federal de Contabilidade, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), empresas e bancos. Com isso, defendeu a implementação de regras claras e capacitação durante a transição. Durigan disse que 2026 deve ser voltado à educação e adaptação e que "em 2026, não tem penalidade" relacionada a obrigações acessórias.
Durigan apontou que a transição, a partir de 2027, tende a entregar um sistema 'muito melhor'.
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