Diniz 'supera' Memphis, e quer que grupo do Corinthians esqueça dívidas
Embora tenha manifestado publicamente a frustração por não trabalhar com Memphis Depay, o técnico Fernando Diniz não quer que a ausência do atacante seja usada como justificativa para uma eventual queda de rendimento do Corinthians. O mesmo vale para os problemas financeiros que impactam diretamente o elenco.
Mesmo com a possibilidade de retomada das negociações entre Corinthians e Memphis, Diniz planeja a sequência da equipe sem o jogador. Ainda assim, o treinador deixou claro, em entrevista coletiva após o empate contra o Rosario Central, na última quinta-feira, que aceitaria uma eventual reabertura das conversas entre o clube e o atleta.
A frustração pela saída de Memphis, porém, não alterou o discurso de Diniz perante o elenco, conforme apurou o UOL . Relatos de pessoas ligadas à comissão técnica apontam que o treinador não pretende transformar a ausência do atacante em uma "muleta" para explicar possíveis resultados ruins.
Diniz também tem feito cobranças à diretoria sobre a situação financeira dos jogadores que permaneceram no clube. Em conversas recentes, o treinador pediu que a economia provocada pela não renovação de Memphis seja utilizada para regularizar as pendências financeiras com o elenco.
O Corinthians tem direitos de imagem e algumas premiações atrasadas com os jogadores. Além disso, houve atraso salarial, ainda que de alguns dias, em três dos últimos quatro meses.
Diniz considera a regularização dessas pendências uma forma de cuidado com os atletas que estão no clube. Segundo apurou o UOL , o treinador deixou claro à direção corintiana que gostaria que os atrasos com os jogadores fossem priorizados em relação às três dívidas que atualmente mantêm o Corinthians em transfer ban, impedindo o registro de novos atletas mesmo com a janela de transferências aberta.
Ao mesmo tempo em que cobra a diretoria, Diniz tem trabalhado para evitar que as dívidas tenham efeito imediato sobre o desempenho do elenco. O UOL apurou que o treinador tem pedido aos jogadores que os atrasos não interfiram no trabalho cotidiano e no senso de unidade do grupo.
Pessoas próximas ao técnico relatam que ele reconhece o incômodo provocado pelas pendências e considera legítima a cobrança dos atletas. Ao mesmo tempo, tenta convencê-los de que a situação não pode nortear a preparação da equipe nem servir como explicação antecipada para resultados ruins.
Diniz costuma lembrar aos jogadores da relação com a torcida. Relatos ouvidos pelo UOL apontam que o treinador usa o argumento de que parte significativa dos corintianos também enfrenta atrasos e dificuldades em seus empregos, recebe salários muito inferiores aos dos atletas e, mesmo assim, continua apoiando o time no estádio.
O objetivo, segundo pessoas próximas ao técnico, não é desconsiderar os direitos dos profissionais. A cobrança ocorre nos dois sentidos: o clube precisa cumprir suas obrigações, enquanto os jogadores devem preservar a entrega em campo.
A postura de Fernando Diniz difere da adotada por Dorival Júnior, seu antecessor.
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