Oncoclínicas dispara com expectativa de julgamento favorável a minoritários na CVM
As ações da Oncoclínicas dispararam nesta segunda-feira, 24, embaladas pela expectativa de que o colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) reverta o entendimento da área técnica da autarquia e dê razão aos minoritários na disputa pela realização de uma oferta pública de aquisição de ações (OPA).
Os papéis chegaram a subir 41,7% pela manhã, a R$ 1,63.
A movimentação antecede o julgamento marcado pela CVM para as 10h desta terça-feira, 25.
A pauta oficial confirma que o colegiado analisará o recurso contra o entendimento da Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE), que concluiu pela não incidência da OPA estatutária.
Como mostrou o Radar Econômico na sexta-feira, a avaliação nos bastidores é de que há votos suficientes no colegiado para uma decisão favorável aos minoritários.
A aposta ganhou força no mercado e ajuda a explicar a forte valorização de ONCO3.
A disputa gira em torno da Centaurus Capital e de uma cláusula objetiva do estatuto da Oncoclínicas: quem ultrapassa 15% do capital fica sujeito à realização de uma OPA.
Após a reorganização dos fundos do Goldman Sachs, a Centaurus passou a deter, separadamente, participação superior a esse limite, o que sustenta a tese dos minoritários de que a obrigação foi acionada.
A área técnica da CVM adotou uma interpretação mais restritiva, ao considerar que a gestora já fazia parte, indiretamente, da estrutura acionária antes do IPO.
É justamente essa leitura que o colegiado deve de revisar nesta terça-feira.
Continua após a publicidade A valorização ocorre em meio a um cenário financeiro ainda delicado para a Oncoclínicas.
A companhia está em recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas.
Uma eventual OPA beneficiaria diretamente os acionistas que venderem suas ações, mas não significaria entrada de recursos no caixa da empresa — o desembolso, caso a obrigação seja confirmada, caberia à Centaurus.
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