Bolsa está barata? Para Kinea, pergunta certa é outra e eleição é “divisor de águas”
A aparente pechincha da Bolsa brasileira pode ser uma armadilha para investidores que olham apenas os múltiplos de valuation.
Essa é a principal mensagem em relatório da gestora Kinea, no qual argumenta que o desconto do mercado acionário brasileiro não está necessariamente nas ações, mas no elevado custo de capital do país, reflexo dos juros reais historicamente altos.
Usando referências ao livro “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, de Douglas Adams, a casa compara a afirmação recorrente de que “a Bolsa brasileira está barata” à famosa resposta “42” da obra: tecnicamente correta, mas insuficiente sem a pergunta adequada.
A Kinea aponta que o Ibovespa negocia perto de 8 vezes os lucros projetados, abaixo da média histórica próxima de 10 vezes, mas essa aparente barganha precisa ser analisada à luz de um ambiente em que títulos públicos pagam mais de 7% ao ano acima da inflação.
“A pergunta certa não é se a Bolsa está barata.
É se o próximo governo vai transformar o Brasil em um país que não precisa pagar mais de 7% acima da inflação para financiar a própria dívida”, resume o relatório.
Problema está na taxa de desconto A avaliação da gestora é que os múltiplos comprimidos do mercado acionário são uma consequência matemática do nível dos juros reais.
Com a taxa livre de risco oferecendo retornos elevados, o valor presente dos lucros futuros diminui e, consequentemente, as ações passam a negociar com múltiplos mais baixos.
Para sustentar o argumento, a Kinea destaca que o prêmio de risco das ações brasileiras não está elevado.
Pelo contrário, encontra-se abaixo de sua média histórica.
Excluindo empresas de commodities, o prêmio da Bolsa brasileira estaria entre os mais baixos do mundo.
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O que existe, segundo a gestora, é uma taxa real extremamente elevada nos títulos públicos, que acaba tornando os ativos de risco relativamente menos atrativos.
Além dos juros, a Kinea enxerga um problema estrutural de crescimento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.