Netanyahu deve permanecer como primeiro-ministro interino após eleição inconclusiva
Por Rami Ayyub e Steven Scheer e Lili Bayer JERUSALÉM, 28 Out (Reuters) – Benjamin Netanyahu parecia destinado a permanecer como primeiro-ministro interino de Israel depois que um apoio inesperadamente forte entre os eleitores judeus deixou seus oponentes com poucas perspectivas aparentes de destituí-lo, apesar de seu bloco de direita ter perdido a maioria parlamentar.
Com quase 86% dos votos apurados nesta quarta-feira, as três principais emissoras de Israel projetaram que o bloco de Netanyahu, formado por partidos de direita, extrema-direita e ultraortodoxos, conquistaria 53 cadeiras no Knesset, de 120 cadeiras, bem à frente das 48 do bloco de oposição do rival Gadi Eisenkot.
Leia também Netanyahu sobrevive com apoio inesperadamente expressivo dos judeus israelenses Com cerca de 70,7% dos votos apurados na manhã de quarta-feira, a mídia israelense previa que o bloco de Netanyahu, formado por partidos de direita, extrema-direita e ultraortodoxos Os partidos que representam os árabes israelenses deveriam conquistar 19 cadeiras — um número sem precedentes —, deixando a Eisenkot poucas chances realistas de chegar ao poder sem o amplo apoio desses grupos, o que muitos líderes políticos judeus rejeitam.
Os resultados ainda podem mudar à medida que a contagem continua, mas o bloco de Eisenkot, formado por partidos anti-Netanyahu — que vão da centro-esquerda à extrema-direita —, ficou aquém das pesquisas pré-eleitorais, que previam uma disputa acirrada.
Netanyahu permaneceria como primeiro-ministro interino durante quaisquer negociações de coalizão e, potencialmente, até uma nova eleição no ano que vem.
Embora um governo interino enfrente algumas restrições, especialistas afirmam que ele mantém poderes, inclusive sobre a guerra com o Irã.
Guy Lurie, pesquisador do Instituto da Democracia de Israel, afirmou que um governo interino tem formalmente os mesmos poderes que um governo regular, mas também “um dever de moderação” e menos discricionariedade em algumas áreas.
LUTA PELA SEGURANÇA SE INTENSIFICA Netanyahu, dirigindo-se aos fiéis de seu partido, o Likud, após as 3h da manhã (horário local), pediu a formação de “um governo nacional forte e de direita”.
Ele destacou os sucessos militares de Israel e levantou a possibilidade de uma nova ação militar conjunta contra o Irã ao lado de seu aliado, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmando que os dois países tinham uma “oportunidade histórica única” de eliminar o que chamou de ameaça iraniana “de uma vez por todas”.
Trump, que havia exortado os eleitores israelenses a manterem Netanyahu no poder para que os dois líderes pudessem “concluir o trabalho” no Irã, disse que Netanyahu se saiu “muito bem” e afirmou que seu apoio “o ajudou muito”.
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