Após denúncia de participação em suicídio de jovem, OpenAI lança versão de ChatGPT para adolescentes
A OpenAI começou a implementar nesta terça-feira (18) uma versão do ChatGPT destinada a adolescentes, aplicada a usuários de 13 a 17 anos, com mecanismos de proteção reforçados, um ano após a primeira denúncia acusando o assistente de IA de ter contribuído para o suicídio de um jovem norte-americano.
Batizada de "ChatGPT for Teens", a versão passa a ser ativada automaticamente para qualquer usuário que se declare menor de idade ou que a empresa identifique como tal, com base em sinais como a idade da conta ou os hábitos de uso.
A maior parte dos mecanismos de proteção já existia para contas identificadas como pertencentes a menores: restrições a determinados conteúdos (automutilação, violência, transtornos alimentares e sexualidade explícita), lembretes regulares para fazer pausas, períodos de uso bloqueados e o "modo estudo", que orienta o usuário por meio de perguntas em vez de simplesmente fornecer as respostas.
A novidade é reunir essas proteções em uma única experiência, complementada por lembretes mais frequentes para buscar ajuda humana quando necessário ou para não colar nas tarefas escolares.
A função de voz também foi desativada para tornar a ferramenta menos humana, e o robô não deve mais dar a entender que sente emoções, explica a OpenAI.
A empresa também conta com seu sistema de alertas para pais, lançado no segundo semestre de 2025 e ampliado em julho. Se o adolescente tiver vinculado sua conta à de um adulto - vínculo que pode ser desfeito a qualquer momento -, o responsável será avisado em caso de sinais de risco de suicídio ou automutilação, ou se a conta for desativada por conteúdos violentos. Cada alerta é validado por um avaliador humano, sem revelar o conteúdo exato das conversas, segundo a OpenAI.
O lançamento ocorre em um contexto de crescente pressão judicial e regulatória. Os pais de Adam Raine, um adolescente californiano de 16 anos que morreu por suicídio em abril de 2025, acusam judicialmente o ChatGPT de ter acompanhado o filho em seu ato.
Desde setembro de 2025, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) investiga os efeitos dos chatbots de sete empresas sobre menores de idade.
Diante do mesmo problema, os concorrentes adotaram estratégias diferentes: a Character.AI encerrou as conversas livres para menores de 18 anos em novembro de 2025; a Anthropic restringe seu assistente Claude a adultos; enquanto o Google acrescentou restrições para menores ao Gemini.
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