Mistério da energia escura ganha reviravolta
Durante décadas, o modelo cosmológico padrão tratou a energia escura como uma constante responsável por acelerar a expansão do U n iverso .
Resultados do Dark Energy Spectroscopic Instrument ( DESI ) divulgados em 2025 , no entanto, abriram uma possibilidade intrigante: talvez esse componente misterioso não seja constante e esteja mudando ao longo do tempo.
A segunda liberação de dados do DESI (DR2), baseada nos três primeiros anos de observações, mostrou compatibilidade com o modelo padrão da cosmologia (ΛCDM), que considera a energia escura constante.
Ao mesmo tempo, os resultados indicaram uma preferência pela possibilidade de que ela evolua ao longo da história do Universo.
Instrumento Espectroscópico de Energia Escura tem cinco mil fibras ópticas, e cada uma atua como um mini-telescópio – Crédito: DESI No estudo publicado em 19 de março do ano passado, a colaboração DESI combinou os dados da DR2 com observações da radiação cósmica de fundo e três conjuntos de supernovas do tipo Ia.
Dependendo da amostra utilizada, a análise encontrou uma preferência de 2,8 a 4,2 sigma por um modelo em que a energia escura pode evoluir.
Esse resultado não significa que o DESI tenha descoberto uma nova forma de energia.
A significância estatística ainda está abaixo do patamar de 5 sigma normalmente associado a uma descoberta na física.
Além disso, a própria análise depende da combinação de diferentes conjuntos de dados e da maneira como o comportamento da energia escura é descrito matematicamente.
É justamente nesse ponto que trabalhos publicados posteriormente começaram a reexaminar a interpretação dos dados.
Sinal concentrado em apenas uma faixa Um dos questionamentos mais recentes veio em 31 de julho, com um estudo conduzido por Jinyoung Kim, da Universidade Stanford e da empresa de investimentos Two Sigma, nos Estados Unidos; David F.
Mota e Andrius Tamosiunas, ambos da Universidade de Oslo, na Noruega.
A equipe aplicou uma abordagem estatística desenvolvida para situações em que os mesmos dados são analisados repetidamente conforme novos conjuntos são disponibilizados.
A expansão do Universo tem sido explicada pela energia escura – Crédito: Dark Energy Survey/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURA Para Bruno Quint, doutor em astronomia pela Universidade de São Paulo (USP) e cientista de operações no Observatório Vera C.
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