Quatro quedas, pouca margem: Filipe Toledo precisa reagir no Mundial
Quatro quedas seguidas logo de cara não são normais para um surfista do nível de Filipe Toledo. E é justamente por isso que o momento exige atenção.
Nesta quarta-feira, em Fiji, o brasileiro foi eliminado por Connor O'Leary. Foi sua quarta queda consecutiva no Round 2, justamente em sua estreia nas etapas de El Salvador, Rio de Janeiro, Teahupo'o e Fiji. Sendo as duas primeiras competições em que já foi campeão e nas quais era considerado favorito.
Isso, por si só, já deveria preocupar. Principalmente porque estamos entrando na reta decisiva da temporada.
Filipe ocupa atualmente a 18ª colocação do ranking, já considerando os resultados de Fiji até aqui. E ainda existem cinco surfistas atrás dele que seguem vivos na competição. Ou seja, ele pode terminar a etapa ainda mais próximo do limite.
Pelo formato atual, apenas os 22 melhores avançam para as duas etapas da pós-temporada, nas Filipinas e em Abu Dhabi. Depois, todos voltam para Pipeline para a última etapa do ano.
E aqui está o problema: Filipe já tem quatro resultados baixíssimos para descartar. Não pode mais se dar ao luxo de simplesmente cair cedo.
A situação fica menos preocupante quando olhamos para uma coisa: Filipe não parece ter esquecido como surfar.
Na derrota desta quarta-feira, por exemplo, fez 16,00 pontos, com uma nota 8,50 - a maior da bateria. Em termos de pontuação, foi uma apresentação bastante boa.
O'Leary conseguiu sua melhor onda, um 8,23, justamente quando estava sem prioridade. Filipe ainda tinha um 0,67 no somatório e não estava bem posicionado para aquela onda. Era uma oportunidade enorme para matar a bateria, mas ela passou.
Nos minutos finais, ainda tentou buscar a virada. Tirou 7,50, mas não foi suficiente.
É um pouco do que tenho visto com Filipe neste ano: o surfe continua ali, mas algumas pequenas decisões estão fazendo uma diferença considerável no resultado final.
Se o calendário for mantido, ainda vêm Trestles e Portugal antes do corte. E ele já foi campeão nos dois lugares.
Trestles, especialmente, tem uma relação muito forte com Filipe. Foi ali que conquistou dois títulos mundiais no WSL Finals, além de uma etapa regular. Portugal também é um palco onde já venceu.
Ou seja: não falta oportunidade para reagir, mas Filipe precisa começar a passar baterias. Porque, se ficar fora das etapas da pós-temporada, a preocupação deixa de ser apenas com sua posição no ranking e passa a envolver também sua continuidade na elite.
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