PF pediu a Mendonça há 6 meses relatório financeiro sobre autoridade com foro; PGR quer saber se ministro fez algo
PGR cobra esclarecimento a Fachin sobre trâmite de relatório financeiro envolvendo autoridade com foro
A Procuradoria-Geral da República solicitou ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, informações sobre possíveis decisões relacionadas a um pedido encaminhado pela Polícia Federal em março de 2026. O requerimento da PF diz respeito à obtenção junto ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) de complementação de um relatório de inteligência financeira que se refere a uma autoridade que possui prerrogativa de foro, ou seja, alguém que pode ser julgado por tribunais superiores. A manifestação da PGR questiona especificamente se o ministro André Mendonça, responsável pelo relato no Supremo, adotou alguma medida sobre esse pedido.
O documento enviado pela Procuradoria-Geral da República não identifica qual é a autoridade mencionada no relatório. Todavia, o requerimento esclarece que a solicitação policial foi protocolada em março do ano atual e permeia investigações mais amplas que envolvem o banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso em Brasília, além do Banco Master. A apresentação feita pela PGR aponta que a Polícia Federal formalizou uma representação para a complementação de um documento de inteligência financeira mantido em sigilo pela Unidade de Inteligência do Coaf.
O teor do questionamento feito pela PGR
Conforme consta da manifestação enviada pela Procuradoria-Geral da República, não há registros disponibilizados nos arquivos que indiquem qualquer tipo de prosseguimento posterior ao pedido feito pela Polícia Federal. Diante dessa lacuna, a PGR pediu especificamente que o Gabinete do Ministro Relator certificasse se houve ou não alguma decisão sobre a representação policial. Além disso, a Procuradoria-Geral solicitou que, caso tenha havido deferimento do pedido, informem se o documento de inteligência financeira se encontra disponível para consulta pelos ministros da Corte.
Essa demanda surgiu após a queda de sigilo de dados relativos a movimentações financeiras do banqueiro Daniel Vorcaro e do Banco Master. Com a liberação dessas informações protegidas, revelou-se a existência da representação policial que havia permanecido sob sigilo. A questão coloca em evidência a importância de acompanhar procedimentos relacionados a investigações que envolvem autoridades com prerrogativa de foro, já que nesses casos os trâmites adquirem maior complexidade institucional.
Contextualizando os elementos técnicos da investigação
Para compreender plenamente o significado dessa manifestação da PGR, é relevante explicar alguns termos e instituições envolvidas. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras é órgão que atua na detecção de operações suspeitas no sistema financeiro. Quando bancos, seguradoras e demais instituições financeiras detectam movimentações que saem do padrão normal, elas enviam alertas ao Coaf. A partir desses alertas, o órgão elabora relatórios de inteligência financeira, documentos técnicos que sintetizam informações sobre operações atípicas.
Um relatório de inteligência financeira, conhecido pela sigla RIF, não é uma acusação, mas sim um documento de caráter técnico que identifica movimentações financeiras que diferem do padrão esperado ou que apresentam indícios de irregularidades. Esses relatórios reúnem dados sobre os valores totais das operações, as partes envolvidas nas transações e possíveis indicadores de crimes como a lavagem de dinheiro. São instrumentos fundamentais para investigações de crimes financeiros e corrupção.
A Polícia Federal, no curso de suas investigações relacionadas ao caso Master, solicitou que o Coaf fornecesse uma série de relatórios de inteligência financeira ligados tanto a pessoas físicas quanto a pessoas jurídicas que mantêm alguma conexão com a apuração em andamento. Esses documentos foram essenciais para o trabalho investigativo, mas diversos deles permaneceram sob sigilo durante o processo.
O caso Master e a liberação progressiva de sigilos
As investigações em torno do caso Master geraram múltiplos procedimentos instaurados no Supremo Tribunal Federal. Até o momento, a Corte tornou público um total de cinquenta e três procedimentos que dizem respeito diretamente a apurações relacionadas a esse caso. A decisão de liberar informações que estavam protegidas por sigilo foi tomada após gestões do presidente do Tribunal, ministro Edson Fachin.
O desencadeamento dessa série de liberações de sigilo ocorreu em contexto mais amplo relacionado às investigações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e sua possível relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. No domingo anterior ao momento da manifestação da PGR, o ministro Moraes solicitou a Fachin que houvesse levantamento do sigilo do inquérito especificamente antes de julgamento marcado para a terça-feira seguinte, que discutiria se a Corte deveria apurar a ligação entre Moraes e o banqueiro.
Fachin encaminhou o pedido de Moraes para que a Procuradoria-Geral da República se manifestasse sobre a questão. A PGR respondeu favoravelmente à liberação do sigilo. Após essa manifestação positiva da Procuradoria, Fachin solicitou ao ministro André Mendonça, responsável pelo relato naquele caso específico, que procedesse ao levantamento do sigilo. Esse movimento de liberação progressiva de informações reflete a dinâmica complexa de procedimentos que envolvem autoridades públicas de alto escalão.
O que acompanhar
Os próximos passos dessa questão incluem a resposta que o Gabinete do Ministro André Mendonça oferecerá ao questionamento formulado pela Procuradoria-Geral da República. Será necessário verificar se houve, de fato, decisão sobre o pedido da Polícia Federal para complementação do relatório de inteligência financeira. Caso tenha havido deferimento, será relevante acompanhar se o documento será disponibilizado para os ministros conforme solicitado. Também é importante monitorar possíveis desdobramentos das investigações que envolvem as autoridades mencionadas e como essas informações financeiras influenciarão os julgamentos subsequentes no Supremo Tribunal Federal. A movimentação dos procedimentos que envolvem o caso Master permanece em evolução, com novos elementos vindo à tona conforme sigilos são liberados.
Principais pontos:
• A Procuradoria-Geral da República questionou o presidente do STF sobre o andamento de um pedido da Polícia Federal para obtenção de complementação de relatório de inteligência financeira envolvendo autoridade com foro, solicitado em março de 2026.
• O Conselho de Controle de Atividades Financeiras elabora relatórios de inteligência financeira baseados em alertas de instituições financeiras sobre movimentações suspeitas, documentos técnicos essenciais em investigações de crimes financeiros.
• O Supremo Tribunal Federal liberou o sigilo de cinquenta e três procedimentos relacionados ao caso Master, revelando a representação policial que havia permanecido protegida, após pedido do ministro Alexandre de Moraes.
• A questão envolve investigações sobre a banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master, com procedimentos em andamento que dependem de decisões sobre a disponibilização de documentos financeiros aos ministros.
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