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Mortes: Referência da veterinária, ajudou a prevenir epidemias em rebanhos

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Mortes: Referência da veterinária, ajudou a prevenir epidemias em rebanhos

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Na casa de Masaio Mizuno Ishizuka, o trabalho fazia parte das conversas da família. "A gente brincava que, na hora do jantar, qualquer assunto virava aula", conta a filha Estela de Wulf, 54, advogada.

Filha de imigrantes japoneses, Masaio nasceu em Presidente Bernardes, interior de São Paulo . Durante a Segunda Guerra Mundial , quando Brasil e Japão estavam em lados opostos, a família perdeu bens. O pai dela havia trazido do Japão um maquinário para produzir seda, que foi confiscado.

Masaio começou a trabalhar em fábricas aos 9 anos para ajudar em casa. Era a segunda de seis irmãos e, pelo que a filha se lembrava, a única entre eles a concluir o ensino superior .

Queria estudar matemática , mas escolheu veterinária quase por acaso, no momento do vestibular. Mais tarde, encontrou na bioestatística uma forma de aproximar a profissão da área que sempre a interessou.

Formada pela USP (Universidade de São Paulo) em 1965, foi convidada a lecionar na mesma instituição. Foi na sala de aula que se encontrou. Ali, descobriu uma vocação para ensinar, orientar e acompanhar estudantes. Em casa, o trabalho continuou presente: ela participava de bancas, orientava teses e recebia alunos em busca de aconselhamento.

A carreira foi construída em um ambiente dominado por homens. Masaio enfrentou o machismo e precisou trabalhar em dobro para conquistar e manter seu espaço.

Ao longo da trajetória, tornou-se uma das pioneiras da epidemiologia veterinária e da biosseguridade, áreas voltadas à prevenção e ao controle de doenças que atingem animais de criação, sobretudo aves e suínos.

Masaio ajudou a levar esse conhecimento para além da universidade. Atuou com empresas, governos e produtores, visitou instalações e acompanhou o trabalho no campo. Defendia que a prevenção deveria começar antes do surgimento de uma epidemia, com cuidados na criação e na cadeia de produção.

A ligação de Masaio com Bastos (SP), conhecida como a capital do ovo, foi construída ao longo de anos de trabalho com produtores e profissionais da avicultura.

Para o Sindicato Rural de Bastos, um dos legados de Masaio foi mostrar que uma avicultura forte também precisa ser responsável, preparada e cuidadosa com a saúde dos animais.

Aposentada da USP na década de 1990, passou a atuar como consultora. Continuou dando cursos, inclusive de pós-graduação, orientando alunos e participando de bancas. No ano passado, publicou dois livros técnicos. Cerca de seis meses antes de morrer, ainda orientava uma pessoa uma vez por semana.

"Quando tinha alguém que queria aprender, ela dava tudo", afirma Estela. Para a filha, a continuidade desse trabalho é manter a mãe presente: "É uma forma de ela continuar viva".

Masaio morreu em 5 de agosto, aos 85 anos. Deixou as filhas Estela e Karina, o marido, o engenheiro Walter Ishizuka, com quem era casada desde 1970, e três netos.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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