Quando uma alergia pode ser fatal?
Quando uma alergia pode ser fatal? - Registros de reações alérgicas cresceram no país nos últimos anos. De janeiro de 2022 a junho de 2026, segundo o Ministério da Saúde, quase 500 mortes em razão do problema.Lucas Cerqueira, de 27 anos, lembra com pesar da viagem dos sonhos que fez junto com o marido, Erivelton Gomes, em maio deste ano. "Era um momento de felicidade para a gente. Era a primeira vez dele na praia", diz.
O casal, que morava em Várzea Grande (MT), viajou para Alagoas para descansar, após dias intensos de trabalho no salão de cabeleireiro que haviam aberto juntos. No quinto dia da viagem, Gomes, que tinha 34 anos, quis experimentar siri e caranguejo. "Desde o primeiro dia em que a gente foi na praia, ele queria provar, mas tinha receio", conta Cerqueira.
O receio de Gomes tinha um motivo: ele sabia que era alérgico a camarão. Anos antes, ele já havia tido uma reação alérgica ao alimento, o que acendeu um alerta sobre possível reação semelhante com outros frutos do mar. "Mas nesse dia, ele criou coragem e resolveu arriscar."
Logo após comer os crustáceos, Gomes levantou incomodado e foi ao chuveiro da praia. "Ele voltou reclamando que o ouvido estava coçando, mas achou que fosse alguma reação normal, uma coceirinha leve", diz Cerqueira.
A situação logo piorou e Gomes teve dificuldades para respirar. "Ele começou a ficar roxo e a gente se desesperou e foi atrás de socorro. Foi tudo muito rápido, cerca de 10 minutos entre ele comer e começar a passar muito mal", diz Cerqueira.
Gomes foi resgatado por uma ambulância e seguiu para um hospital da região. O marido dele estima que Gomes morreu menos de uma hora após comer os crustáceos. "Foi desesperador. Nunca imaginei que uma alergia pudesse ser daquela forma", afirma Cerqueira.
O caso de Gomes não foi a única reação fatal a uma alergia neste ano. De janeiro a junho foram 40 mortes por essa causa no país, segundo o Ministério da Saúde. De 2022 para cá, já foram 499 óbitos ao todo, conforme a pasta.
Os atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados a alergias têm aumentado. Em 2022 foram 30,9 milhões, enquanto no ano passado foram 44,5 milhões. Os números crescem a cada ano e só na primeira metade de 2026 já foram registrados 24 milhões.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que atualmente cerca de 30% da população mundial tem algum tipo de alergia. A entidade estima que os casos vão aumentar cada vez mais e devem atingir 50% da população até 2050.
"Nos últimos anos, a ciência tem documentado um aumento do número de pessoas com alergias. Isso tem a ver com mudanças do estilo de vida, estresse, poluição, enfim, fatores que funcionam como gatilhos que podem desregular o sistema imunológico", afirma a alergista e imunologista Marina Takao, do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Mas afinal, o que é uma alergia e como ela pode se tornar algo extremamente grave?
A alergia é uma reação exagerada do sistema imunológico a substâncias consideradas inofensivas, como alimentos, ácaros, pelos de animais ou remédios.
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