Novas terapias para câncer de endométrio avançam, mas jornada do paciente ainda esbarra em desafios
O câncer de endométrio é o sexto tipo de câncer mais comum entre mulheres no Brasil, com mais de 9 mil novos casos estimados por ano.
1 O envelhecimento da população e a obesidade são dois fatores de risco para a doença que têm contribuído para o aumento dessa incidência.
2 Nos últimos anos, os avanços da ciência culminaram na chegada de imunoterapias e terapias-alvo que ampliaram as opções terapêuticas e apresentaram evoluções nos desfechos clínicos.
3 Agora, o desafio é que esses novos tratamentos cheguem às pacientes, especialmente, no Sistema Único de Saúde (SUS).
Diferente de outras neoplasias, o câncer de endométrio tem uma taxa de diagnóstico precoce relativamente elevada.
4 Um dos principais sintomas de alerta para a condição é o sangramento uterino anormal, o que estimula a busca por serviços de saúde precocemente.
5 Ainda assim, cerca de 32% dos casos são diagnosticados em estágio já avançado, o que impacta o prognóstico e a sobrevida: dessas pacientes, apenas 22% estão vivas após cinco anos, segundo dados da Associação Americana de Câncer.
4 Entretanto, muitos pacientes oncológicos brasileiros têm jornadas de tratamento desafiadoras.
De acordo com estudo publicado no periódico JCO Oncology, 58,5% das pacientes brasileiras iniciam o tratamento mais de 60 dias após o diagnóstico.
5 O dado evidencia importantes desafios para garantir o acesso oportuno ao tratamento oncológico.
“Esses dados mostram que o desafio atual vai além do aumento da incidência”, ressalta Marcella Salvadori, oncologista e mestre em Pesquisa Clínica e Translacional pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/BA).
“Precisamos ampliar a conscientização sobre os sinais de alerta, garantir acesso rápido à investigação diagnóstica, reduzir o tempo até o início do tratamento”.
Do diagnóstico ao tratamento adequado Hoje, as evidências científicas disponíveis demonstram que fazer exames preventivos sem sinais ou sintomas, mesmo que sejam pertencentes a grupos com maior chance de ter a doença, não traz benefícios comprovados para esse tipo de câncer.
Nesses casos, não existe recomendação oficial para o rastreio do câncer de endométrio.
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