O diploma deve ser obrigatório para o exercício da profissão de jornalista? SIM
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Jornalista, é presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)
O diploma deve ser obrigatório para o exercício da profissão de jornalista? Para a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) , sim. Defender essa posição não significa defender censura, controle sobre a opinião ou restrição à liberdade de expressão. É reconhecer que jornalismo é uma profissão, com responsabilidades próprias, e que informação de qualidade é um direito da sociedade.
O debate voltou à cena depois de manifestações dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal ( STF ). Empresas jornalísticas reagiram em seus editoriais , afirmando que reabrir esse tema representaria um retrocesso autoritário, e lembraram que a corte derrubou a obrigatoriedade do diploma em 2009 .
O jornalismo no século 21 não será salvo decidindo quem pode ou não entrar nele; solução é criar mecanismos para garantir a qualidade da informação
Afinal, por que a formação profissional de quem trabalha com informação de interesse público seria incompatível com a democracia?
O primeiro equívoco é confundir liberdade de expressão com exercício profissional do jornalismo. Todo cidadão tem o direito de falar, criar um blog, manter um perfil nas redes sociais ou expressar suas opiniões. Liberdade de expressão é um direito individual que não depende do exercício do jornalismo.
Jornalismo é apuração , checagem, contextualização, confronto de versões, busca por fontes, responsabilidade na divulgação e compromisso ético com o interesse público. Jornalistas entregam à sociedade elementos para que ela possa formar seu próprio juízo. Por isso, não faz muito sentido dizer que exigir formação profissional equivale a impedir que alguém se manifeste. O que se exige é formação específica de quem pretende exercer profissionalmente o jornalismo e gozar das prerrogativas e responsabilidades correspondentes.
Também é frágil o argumento de que jornalismo não exige conhecimento técnico. Quase todo mundo já tomou um remédio por conta própria, mas isso não transforma ninguém em farmacêutico. Da mesma forma, ter acesso a uma câmera, a um microfone ou a uma rede social não faz de alguém um jornalista.
A regulamentação do jornalismo começou em 1938, quando o Estado reconheceu a atividade e determinou a criação de escolas de preparação. Em 1943, foi criado o curso superior de jornalismo; em 1961, já havia previsão de diploma e registro profissional. A obrigatoriedade para a maioria das funções foi estabelecida em 1969. Portanto, reduzir toda a luta do diploma a uma suposta herança da ditadura militar é tão simplificador quanto imaginar que sua defesa surgiu agora por causa de uma questão envolvendo ministros do Supremo.
É curioso, inclusive, que alguns dos mesmos veículos que hoje invocam a liberdade de expressão em tom solene para condenar a exigência de formação profissional tenham uma história menos confortável quando se trata de defender a democracia.
A Fenaj defende a formação profissional há anos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.