Biografia de Carlos Lacerda narra virulência com que defendeu do comunismo ao golpismo
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Carlos Lacerda "parecia não dormir nunca e nem deixar que os outros dormissem", descreveu uma vez o jornalista Newton Carlos. Segundo o governador udenista Juracy Magalhães , ele se comportava "como macaco em loja de louças".
"Era extremado mesmo quando se colocava no centro", afirmou o jurista Evandro Lins e Silva , amigo que se afastou de Lacerda. O colunista Paulo Francis , nunca conhecido pela mansidão, achava que ele "perdia as estribeiras no ataque".
Em 1954, quando o major Rubens Vaz pediu a Lacerda para baixar um pouco a bola na virulência contra o governo de Getúlio Vargas —Vaz entraria para os livros de história dali a meses, assassinado a tiros no lugar do amigo no atentado da rua Tonelero —, o jornalista disse que, "se não fosse violento, a campanha não teria efeito".
"O país ainda está muito insensibilizado", afirmou o Corvo do Lavradio, naquele que foi um dos anos mais tormentosos da política brasileira. "É preciso sacudi-lo como se sacode um sujeito que dormiu mal à noite e tem que acordar de madrugada para não perder o avião."
O julgamento sobre o legado de Lacerda está aberto desde 1977, quando um infarto o calou para sempre aos 63 anos, mas é fato indiscutível que ele sacolejou o Brasil.
Sua arma era a imprensa —o panfleto, as colunas, seu próprio jornal, o rádio e depois a televisão. E o jornalista Mário Magalhães cultivava há décadas a vontade de destrinchar sua vida em uma grande empreitada de reportagem. Como ele diz, "é impossível entender a história do Brasil sem conhecer a história do Carlos Lacerda".
O personagem o seduzia antes mesmo do outro Carlos que acabou biografando. O livro "Marighella: O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo" , publicado em 2012, se tornou obra de referência , levou o prêmio Jabuti e virou filme dirigido por Wagner Moura com Seu Jorge no papel do militante de esquerda .
Em 2010, Magalhães pediu demissão da Folha , onde trabalhou por 18 anos em cargos como ombudsman e repórter especial, para conseguir terminar aquela biografia . Colhidos os louros, passou mais 11 anos debruçado sobre Lacerda, instado pela disponibilização de documentos inéditos de órgãos americanos sobre o Brasil, com muita informação nova sobre o político.
"Nos dois livros eu mantenho o mesmo comportamento. Não julgo os personagens. Não acuso e não defendo", diz o jornalista de 62 anos, apontando não sentir mais proximidade de nenhum dos biografados. "Lacerda já tem detratores e partidários suficientes."
Os dois Carlos são quase contemporâneos, separados por menos de três anos de idade, e é tentador enxergá-los como polos opostos —afinal, um é mais lembrado como ícone de esquerda e outro, de direita. Mas é uma impressão bastante redutora.
Por exemplo, o direitismo nem sempre foi o figurino de Lacerda, marcado na juventude pela simpatia aguerrida ao comunismo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.