Por que têm aumentado os casos de câncer entre adultos mais jovens?
O crescimento acelerado nos diagnósticos de câncer entre pessoas com menos de 50 anos se tornou um alerta de saúde global.
Em diversos países, adultos na fase mais produtiva da vida enfrentam o diagnóstico precoce de tumores em diferentes órgãos .
Estudos internacionais e dados do Painel Oncologia BR do DataSUS refletem essa tendência mundial no Brasil, onde os registros da doença entre jovens de 18 a 50 anos subiram 284% na última década.
Segundo projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA) , o país deve registrar 781 mil novos casos anuais, com aumento marcante de casos de tumores de intestino, mama, próstata e estômago nos mais novos.
O avanço desse cenário em escala global tem mobilizado profissionais da saúde e pesquisadores a investigar hábitos modernos, exposições ambientais e mutações genéticas.
A prioridade atual das entidades médicas é entender o que mudou na biologia e no ambiente das últimas gerações para antecipar a prevenção.
Fatores de risco conhecidos e novos hábitos O aumento dos casos em todo o mundo está fortemente associado às transformações profundas no estilo de vida das últimas décadas.
A ampla disponibilidade de alimentos ultraprocessados, o sedentarismo e a epidemia de obesidade geram processos inflamatórios contínuos no organismo, criando um ambiente propício para alterações celulares nocivas.
Segundo Maria Del Pilar Estevez Diz, médica da Oncologia D’Or, uma rede de clínicas e centros especializados no diagnóstico e no tratamento do câncer e de doenças hematológicas, e coordenadora da Oncologia Clínica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), as transformações urbanas registradas no Brasil a partir da década de 1950 alteraram a exposição da população a agentes ambientais nocivos.
Ela alerta que esse contato com substâncias químicas e poluentes ocorre desde o nascimento.
Cientistas tentam entender se os tumores que surgem em adultos jovens são mais agressivos ou agem de forma diferente daqueles diagnosticados em pessoas mais velhas. – Crédito: SeventyFour – Shutterstock “Do ponto de vista do ambiente, temos a exposição a disruptores endócrinos, que modificam os hormônios naturais e podem estar presentes em plásticos, produtos de higiene corporal, produtos de limpeza e alimentos”, explicou a médica em entrevista ao Olhar Digital .
“Os microplásticos causam um processo inflamatório crônico no organismo.” Além das interferências no ritmo do sono provocadas pela luz artificial e pelas telas, a má alimentação se consolida como um dos principais motores desse avanço.
O consumo excessivo de ultraprocessados ricos em açúcares e gorduras, somado à falta de exercícios físicos, cria um ambiente metabólico propício para a formação de tumores.
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