Mulheres pressionam Lula por indicação inédita de ministra negra ao STF
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O presidente Lula (PT) usou os discursos de vitória no último domingo (25) para agradecer ao apoio das mulheres brasileiras e lembrar que trabalhará para eleitores e eleitoras . As mulheres foram um dos grupos nos quais, segundo as pesquisas eleitorais , ele mantinha vantagem em relação a Flávio Bolsonaro (PL).
"As mulheres serão tratadas com muito mais respeito pelas políticas públicas brasileiras", disse no primeiro discurso após a vitória nas urnas. Ele afirmou ainda que irá se reunir com mulheres, além de empresários e cientistas, nos próximos dias, para discutir o rumo do governo.
Depois, em discurso na avenida Paulista, o presidente eleito reiterou que essa não era uma vitória de "homens", mas de "homens e mulheres".
As mulheres já estão com expectativas para que suas pautas sejam prioridade. Uma delas é a indicação da primeira-ministra negra para o STF (Supremo Tribunal Federal), cobrança que vem desde o início do atual mandato.
"A gente EXIGE uma ministra, de preferência negra, para o STF", diz uma publicação com mais de 12 mil curtidas no Instagram, feita na terça-feira (27). Nos comentários, mulheres expressam preocupação com a dificuldade de aprovação do Senado.
Apesar da vitória de Lula, a casa terá uma maioria de direita a partir de 2027 —o PL, de Flávio Bolsonaro, tem o maior número de cadeiras . O grupo terá força para influenciar as indicações do governo, pressionar o Poder Judiciário e amplificar o peso da pauta de costumes.
O impulso de mobilização popular adquirido no segundo turno, porém, parece incentivar as mulheres em suas exigências. "Eu falei que ia cobrar e vou! Cobrem vocês também! Já deixamos bem claro e documentado que o poder é nosso", escreveu uma usuária. Elas começaram a pedir ajuda ao deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo "Exército de Lula" .
Outra publicação, do Instituto Juristas Negras, apresentou a promotora do Ministério Público da Bahia, Lívia Sant’Anna Vaz, como uma opção para a indicação.
Em maio, uma pesquisa do Datafolha mostrou que 51% dos brasileiros dizem ser muito importante e 18% um pouco importante a escolha de uma mulher para a corte. Além disso, 46% dizem ser muito importante e 16% um pouco importante a indicação de uma pessoa negra.
O movimento Mulher Negra no STF ganhou força em 2023, com a saída de Ricardo Lewandowski. Coletivos como o Mulheres Negras Decidem defendiam que o Supremo refletisse a diversidade do país. Lula indicou Cristiano Zanin.
Meses depois, a aposentadoria de Rosa Weber, uma das três mulheres da história do tribunal, reacendeu a campanha. À época, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) lembrou que mulheres negras são 28% da população e 0% da história da corte. A vaga ficou com Flávio Dino.
Em 135 anos, o STF teve 172 ministros. Apenas três foram mulheres (Ellen Gracie, Cármen Lúcia e Rosa Weber) e três foram negros, todos homens. Nenhuma mulher negra foi nomeada.
No próximo mandato, Lula poderá indicar outro nome para a vaga de Barroso.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.