Polícia de SP mata uma pessoa a cada 12 horas sob a gestão Tarcísio
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Um celular confundido com uma arma . Uma faca na mão de uma mulher cercada por três agentes. Um homem que, já caído, continua sob disparos . As três cenas ocorreram em diferentes pontos da capital paulista neste mês, mas terminaram da mesma forma: pessoas mortas em intervenções policiais.
As circunstâncias de cada episódio estão sob investigação, mas as mortes ocorrem em um estado onde, entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, durante a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) , intervenções das polícias Civil e Militar registraram, em média, uma morte a cada 12 horas e 13 minutos.
A frequência é cerca de 70% maior que a registrada em 2022, último ano da gestão João Doria /Rodrigo Garcia, quando foram ampliadas medidas de redução da letalidade e o intervalo médio entre mortes era de 20 horas e 48 minutos. O levantamento da Folha considera registros de intervenções de policiais em serviço e de folga, conforme contabilizados pelo governo.
Para o professor e especialista em segurança pública da PUC Minas, Luís Flávio Sapori, esses números refletem uma mudança de orientação entre os governos. "A política de contenção da violência policial do governo Doria foi claramente abandonada no governo do Tarcísio", afirma.
Segundo ele, as medidas anteriores buscavam limitar abusos sem prejudicar o enfrentamento à criminalidade. A gestão atual, segundo ele, retomou uma concepção de guerra contra o criminoso, com consequências deletérias.
Sapori afirma que essa abordagem tem apelo popular, mas não enfraquece as organizações criminosas. "Esse modelo retroalimenta o crime organizado no Brasil", diz.
Uma referência internacional, com diferenças de abrangência, aparece nos relatórios oficiais da polícia da cidade de Nova York. O departamento registrou 21 pessoas mortas a tiros em 2023 e 2024 na categoria de disparo intencional em situação de conflito, o equivalente a uma morte a cada 34,8 dias.
Os números não permitem, porém, uma comparação direta: além das diferenças de população e período, os dados americanos abrangem uma cidade e uma categoria específica de mortes por arma de fogo, enquanto os paulistas se referem a um estado e a um recorte mais amplo de intervenções policiais.
Os três casos citados no começo acima ainda não fazem parte das estatísticas analisadas pela Folha , que vão de janeiro de 2023 a agosto de 2026.
Gustavo Munis de Santana, 20, morreu na madrugada de 10 de outubro, em Moema, zona sul. Segundo o registro policial, a equipe foi chamada após a informação de que uma pessoa transtornada ameaçava atirar contra si.
Os PMs disseram na delegacia que confundiram o celular do jovem com uma arma. Imagens conhecidas posteriormente dão lastro à versão dos PMs. Dos oito policiais que participaram da ação, quatro atiraram. Foram 45 disparos, e a perícia identificou 27 ferimentos decorrentes de disparos no corpo de Gustavo, inclusive na cabeça, no rosto e no tórax.
Na Vila Dionísia, zona norte, Antonio Nunes Batista, 40, morreu após uma abordagem em 3 de outubro. Um familiar afirmou que ele tinha esquizofrenia.
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