COP da Desertificação na Mongólia: seca pode atingir 75% da população mundial e desafia também o Brasil
Mudanças climáticas, desmatamento, práticas agrícolas inadequadas e expansão das monoculturas estão acelerando a degradação dos solos em diversas regiões do planeta. Para discutir soluções para essa crise ambiental crescente, representantes de governos, cientistas, organizações da sociedade civil e do setor privado participam da COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), aberta nesta segunda-feira (17) e que acontece até 28 de agosto em Ulan Bator, na Mongólia.
Menos conhecida do que as grandes conferências internacionais sobre clima e biodiversidade, a COP da Desertificação busca chamar atenção para um problema que afeta diretamente a segurança alimentar, a disponibilidade de água e os meios de subsistência de bilhões de pessoas.
A desertificação não é o avanço do deserto, como explica Jean-Luc Chotte, pesquisador emérito do Instituto Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD) e especialista em solos. "É a degradação dos solos, a deterioração de suas propriedades físicas, químicas e biológicas, observada em áreas de climas áridos, semiáridos e subúmidos secos. Mas estes lugares não estão desertos: ali vivem agricultores, pastores, muita gente. O termo desertificação é, portanto, complicado", completa.
Sob o lema "Restaurar as terras, restaurar a esperança", a conferência ocorre em um contexto alarmante. Cerca de 40% das áreas terrestres do planeta apresentam algum grau de degradação, afetando diretamente 3,2 bilhões de pessoas. A cada ano, aproximadamente 100 milhões de hectares de terras saudáveis e produtivas são perdidos, com prejuízos econômicos estimados em US$ 880 bilhões.
As projeções também preocupam. Segundo dados apresentados no âmbito da Convenção, até 2050 a seca poderá atingir três quartos da população mundial. Já a partir de 2030, cerca de 700 milhões de pessoas poderão ser deslocadas em consequência dos efeitos da escassez de água e da degradação dos ecossistemas.
Para Tamsir Mbaye, pesquisador do Instituto Senegalês de Pesquisa Agrícola, o evento da Mongólia acontece em um momento decisivo.
"A COP17 acontece num momento em que a degradação das terras se tornou uma ameaça global, com consequências diretas para a segurança alimentar, a disponibilidade de água e os meios de subsistência de milhões de pessoas."
Após uma COP16 que terminou sem grandes avanços em Riad, na Arábia Saudita, há dois anos, Mbaye considera que chegou o momento de transformar compromissos em ações concretas. Segundo ele, a degradação dos solos assume características diferentes conforme o nível de desenvolvimento dos países. Nas economias mais ricas, ela é frequentemente mascarada pelo uso intensivo de fertilizantes e outros insumos agrícolas. Já nos países mais pobres, especialmente na África Subsaariana, a baixa produtividade e o difícil acesso a esses recursos aumentam a vulnerabilidade das populações rurais.
Apesar do cenário preocupante, o pesquisador destaca que existem soluções comprovadas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.