China aprendeu a monitorar desastres, mas avalanche começou no Nepal
Dois anos atrás, o rio Yarlung Tsangpo carregou uma avalanche de lama e gelo no extremo leste do Himalaia, na China. Uma geleira havia derretido, na fronteira do país com o Nepal. Mas já havia então um sistema de monitoramento e prevenção instalado após um desastre anterior, de 2018. E ele funcionou.
É chamado de "rede integrada de monitoramento espaço-ar-solo": geofones implantados no solo, sensores de nível de água e estações de transmissão de dados conectadas ao Beidou, o GPS chinês, entre outras características.
O sistema foi projetado para que a informação percorra, da detecção ao disparo da reação, o caminho em 20 minutos. A cidade de Chongqing já adota uma versão adaptada.
No incidente de dois anos atrás, os geofones perceberam sinais de vibração sísmica, os sensores de água registraram subida rápida de nível rio acima e a plataforma de monitoramento avisou a central científica, que repassou instantaneamente ao governo municipal e às autoridades de gerenciamento local, acionando helicópteros e drones para confirmação visual, além dos protocolos de emergência.
Desta vez, nada disso aconteceu. Nas cenas do porto Gyirong, na cidade de Shigatse, perto do Monte Everest, as pessoas são surpreendidas tarde demais pela avalanche de lama. Kang Shichang, da Academia Chinesa de Ciências, instituição que é parte do sistema de monitoramento e prevenção de desastres estabelecido no país, explicou ao jornal Pengpai Xinwen, de Xangai, por que isso ocorreu.
"A origem do desastre está no lado nepalês, perto do rio que marca a fronteira, e a água chega rapidamente, reduzindo o tempo de alerta", disse ele.
"Ao lado disso, foi numa área isolada com população esparsa, um vale alto e profundo no Himalaia em que os métodos de monitoramento eram limitados. Os deslizamentos de gelo e rochas têm velocidades extremamente elevadas, com um intervalo muito curto entre o colapso no alto e o desastre embaixo."
Diversos especialistas chineses citam o derretimento da geleira como causa mais provável da avalanche, resultado da mudança do clima, mas Kang cobra antes "coletar evidências e conduzir uma análise científica".
De todo modo, o embaixador da China no Nepal, Zhang Maoming, já defendeu, em uma mídia social ligada ao Ministério das Relações Exteriores, maior integração entre os países, para o futuro.
"Os dois lados podem fortalecer o compartilhamento de informações, o monitoramento e o alerta precoce em áreas como meteorologia, hidrologia e geologia, aprimorar os mecanismos de compartilhamento de informações sobre desastres transfronteiriços e empenhar-se para alcançar a detecção precoce, o alerta precoce e a resposta rápida", falou ele.
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