Como a principal fabricante de trens da Europa tenta voltar aos trilhos
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Quando a operadora ferroviária espanhola lançou uma concorrência para construir até 40 novos trens capazes de atingir 350 km/h, a maior fabricante da Europa ficou de fora.
A Alstom , segunda maior fabricante de trens do mundo e conhecida pelos trens de alta velocidade TGV, confirmou que não apresentou uma proposta até o prazo de junho estabelecido pela Renfe. A empresa decidiu que o prazo de entrega de pouco mais de três anos era apertado demais e que as metas de velocidade para os novos trens eram ambiciosas demais, segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto.
Mas a decisão de não disputar um contrato estimado em 1,8 bilhão de euros (R$ 10,8 bilhões) foi incomum —e um sinal das complexidades envolvidas na conquista de grandes contratos ferroviários .
Projetos de trens de alto valor podem levar muitos meses, às vezes anos, para serem concedidos às fabricantes, que, ainda assim, precisam se comprometer com prazos de entrega de vários anos e preços definidos. As especificações frequentemente mudam ao longo do processo, enquanto as aprovações de segurança e regulatórias podem ser demoradas e complexas.
Essas condições, por sua vez, pressionam os balanços das empresas , afetados por grandes necessidades de capital, oscilações no capital de giro e cronogramas de pagamento irregulares.
Martin Sion, que assumiu como presidente-executivo da Alstom em abril, está adotando uma nova abordagem para lidar com alguns desses problemas. Ele iniciou seu mandato priorizando um número menor de novos projetos de fabricação, com foco na rentabilidade, na geração de caixa e na solução de problemas de execução em contratos já existentes.
Mas as ações da Alstom, negociadas em Paris , perderam cerca de metade do valor desde que atingiram 30 euros (R$ 180) no início deste ano. Em abril, o grupo emitiu seu terceiro alerta de redução de lucros em cinco anos, pouco depois da chegada de Sion. A empresa também abandonou uma meta de geração de caixa.
A retirada da Alstom da concorrência da Renfe também oferece uma visão sobre uma indústria que costuma ser criticada por políticos e pela imprensa por atrasos nas entregas.
"Na Europa , cada plataforma tem uma altura diferente, os túneis são diferentes em cada país, até a voltagem nos trilhos não é a mesma", disse uma das pessoas.
William Mackie, chefe de pesquisa de bens de capital da Kepler Cheuvreux, afirmou que essas características diferenciam a indústria ferroviária. "A indústria aérea é muito mais homogênea. Você não encontra isso da mesma forma no setor ferroviário", disse.
Atrasos em contratos que exigem muito capital são especialmente difíceis para o caixa das fabricantes de trens, já que os pagamentos finais só ocorrem depois que os veículos passam meses sendo testados nas redes ferroviárias.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.