Em busca do 4º mandato, Lula aumenta participação no bastidor da campanha
O presidente Lula está acompanhando de perto a organização do ato de lançamento de sua campanha, no domingo, em São Paulo. Marcado para o estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, o evento vai rememorar toda a sua trajetória política, no lugar que é o berço do PT e do sindicalismo.
Lula faz perguntas sobre detalhes e quer garantir um volume de público. Caravanas de outros estados estão sendo mobilizadas para o encontro. Na convenção do dia 2 de agosto , em São Paulo, o petista puxou a orelha dos organizadores, que não haviam colocado uma mulher para discursar. Deu a palavra a Janja, que nem estava preparada para falar.
Essa participação direta do presidente na campanha ganhou tração nas últimas semanas. Ontem, ele começou a gravar vídeos para os candidatos ao Senado.
Uma das maiores preocupações do petista é, em caso de um quarto mandato, não ter no Congresso uma base consistente. Para tentar conseguir isso, nesta semana fez costuras políticas com Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), do Senado. Os acordos passam dos apoios eleitorais para a articulação do comando das duas Casas , no ano que vem.
Pessoas que acompanham Lula nesta e em outras eleições afirmaram à coluna que, desta vez, ele está ainda mais participativo.
O UOL revelou nesta semana que o presidente influiu diretamente na escolha do slogan de campanha , "O Brasil Pronto pra Mais". Esta é a última eleição de Lula e ele está focado em mostrar ao eleitor um legado positivo.
O petista faz reuniões regulares com o ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, e o marqueteiro Raul Rabello. Opina sobre a estratégia e busca concertar as ações de governo com a campanha, sem que quebre a regra do defeso eleitoral — quando propagandas de governo não podem influenciar na eleição.
Do ponto de vista político, Lula foi o artífice dos acordos em Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Ceará e São Paulo. Neste que é o maior colégio eleitoral, primeiro, convenceu o ex-ministro Fernando Haddad a concorrer ao governo. Ajustou duas candidaturas potentes ao Senado, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), e acomodou o terceiro nome, Márcio França (PSB), como vice. A chapa, no entanto, segue bem atrás de Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas pesquisas.
Em Minas, o presidente tentou emplacar Rodrigo Pacheco (PSB) como candidato ao governo. Era também uma maneira de abrir caminho sem ressentimentos para a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF (Supremo Tribunal Federal). Não deu certo em nenhuma das duas intenções.
A "novela Pacheco" se arrastou por meses e, no afogadilho, Lula tentou dissuadir a ex-prefeita Marília Campos de disputar o Senado e concorrer ao governo. Também não deu certo.
Mas foi com seu aval que o deputado Patrus Ananias, seu ex-ministro, ocupou o posto da difícil disputa contra o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos.
No Ceará, o acerto passou pela saída da deputada Luiziane Lins do PT, depois de 37 anos de militância.
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