Com 4.200 km de fronteira, região chinesa ganha nova zona de livre comércio
Em abril, o Conselho de Estado da China anunciou a criação da Zona-Piloto de Livre Comércio da Mongólia Interior , elevando para 23 o número total dessas regiões no país.
A medida reflete uma aposta clara de Beijing na ampliação estratégica da sua abertura ao Norte, com implicações diretas para a integração regional e a nova fase da globalização.
A escolha da Mongólia Interior é estratégica.
Com mais de 4.200 quilómetros de fronteira e 20 portos de comércio exterior, a região autônoma ocupa uma posição geográfica privilegiada, historicamente atravessada pela Rota da Seda das Estepes e pelo Caminho do Chá.
Hoje, esse território é peça-chave no Corredor Econômico China-Mongólia-Rússia e na construção da Iniciativa Cinturão e Rota, funcionando como uma ponte natural entre a Ásia Oriental, a Ásia Central e a Europa.
O plano aprovado concede maior autonomia reformista à região e estabelece 19 medidas inovadoras, que vão desde o estímulo ao comércio fronteiriço entre residentes até o fortalecimento da logística internacional, passando pela aceleração da transferência de tecnologia e pela ampliação de intercâmbios culturais e económicos com os países vizinhos.
Trata-se de uma aposta na integração multidimensional, que combina infraestrutura, inovação e diplomacia comercial.
Os dados mais recentes reforçam o potencial da região: em 2025, o comércio exterior da Mongólia Interior atingiu 220,67 mil milhões de yuans, um recorde histórico, com crescimento superior à média nacional.
Além disso, a região mantém laços comerciais com 201 países, sendo que quase 80% desse fluxo ocorre com nações parceiras da Cinturão e Rota.
Do ponto de vista estratégico, a iniciativa tem três grandes propósitos.
Primeiro, fortalecer a cooperação prática com a Rússia, a Mongólia e os demais países da Ásia Central, promovendo a circulação dupla – doméstica e internacional – num momento em que as cadeias globais de valor buscam maior resiliência.
Segundo, diversificar as oportunidades de investimento estrangeiro, especialmente nos setores de energia, agropecuária, computação verde e economia digital, que despontam como novos polos de crescimento na região.
Terceiro, e não menos importante, enviar um sinal claro ao mundo: enquanto algumas potências adotam medidas protecionistas, a China aprofunda a sua abertura sistémica, com regras claras e portas abertas ao capital e às empresas globais.
Vale lembrar que, até 2024, as 22 zonas de livre comércio já existentes – que ocupam menos de 0,4% do território chinês – foram responsáveis por cerca de 20% do investimento estrangeiro direto e por 16% do comércio exterior do país.
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