Nada te ensina, se tudo te ofende
Há pessoas que atravessam a vida sem jamais aprender alguma coisa sobre si mesmas porque passam tempo demais se defendendo daquilo que poderia ensiná-las.
Tudo vira ofensa.
Uma crítica é uma agressão, uma pergunta é uma provocação, um limite é rejeição, uma opinião diferente é uma afronta, uma discordância é quase uma declaração de guerra.
E assim a pessoa vai construindo ao redor de si uma fortaleza tão alta que, quando percebe, já não consegue ouvir ninguém do lado de fora e, pior, já não consegue escutar a própria voz do lado de dentro.
Talvez exista uma diferença importante entre ser ferido e sentir-se ofendido.
Ser ferido faz parte de estar vivo.
A gente será atravessado por palavras que doem, por ausências que machucam, por injustiças que deixam marcas, por pessoas que nos decepcionam.
Não temos como impedir que o mundo nos alcance.
Mas sentir-se ofendido por tudo é outra coisa.
É transformar qualquer desconforto em ataque e qualquer desconforto em prova de que o outro está errado.
É viver com o dedo permanentemente apontado para fora, como se a única pergunta possível fosse “quem fez isso comigo?” e nunca “por que isso mexeu tanto comigo?”.
Há uma pobreza enorme em quem não suporta ser contrariado, porque quem precisa estar sempre certo abre mão de uma coisa muito mais valiosa do que a razão: a possibilidade de aprender.
Aprender exige uma pequena humilhação.
Exige reconhecer que não sabemos, que podemos ter entendido errado, que uma pessoa que pensamos conhecer pode enxergar alguma coisa que não enxergamos.
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