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Avalanche no Nepal é alerta do que virá nos próximos anos, diz pesquisador

UOL Notícias ·
Avalanche no Nepal é alerta do que virá nos próximos anos, diz pesquisador

Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A avalanche que devastou parte da fronteira do Nepal com a China e deixou centenas de mortos e milhares de desaparecidos é um alerta do que pode se repetir nos próximos anos devido às mudanças climáticas, avaliou o pesquisador Gilvan Sampaio, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), no UOL News , do Canal UOL.

Autoridades do Nepal e da China ainda avaliam alto risco de novos rompimentos e deslizamentos , com possibilidade de novas ondas de lama e água. Para Sampaio, o cenário se explica pelo degelo acelerado em regiões vulneráveis à alteração do clima.

Quando acontecem tragédias como essa, nós não tínhamos visto até então numa dimensão tão grande. Mas o que acontece? Da mesma forma, nós não tínhamos visto um episódio tão intenso de chuvas no Rio Grande do Sul como aquele de 2024. A tendência, a principal mensagem das mudanças climáticas em todo o mundo, é justamente essa tendência de termos cada vez mais episódios extremos. Esse tipo de evento, embora seja muito extremo e nós não tenhamos observado algo semelhante no passado, numa dimensão muito menor, é um alerta do que pode vir aí para os próximos anos e décadas. Gilvan Sampaio

Sampaio disse que a região do Tibete e do Himalaia estão entre os "hotspots" — áreas críticas onde pode haver mudança brusca nas condições do clima — e que o degelo rápido aumenta o risco de episódios de grande volume de água descendo pelas bacias.

O platô tibetano e o Himalaia é justamente um desses hotspots. Essa é uma região que requer um cuidado maior em relação à mudança do clima, justamente por conta da rápida retração dos glaciares, e com isso o derretimento do gelo, causando episódios como esse, com um fluxo muito grande de água provocada justamente por conta desse degelo. Gilvan Sampaio

Leonardo Sakamoto perguntou o que seria possível fazer para reduzir o sofrimento humano em eventos desse tipo, já que "uma onda de 30 metros de lama" deixa pouca margem de reação. Sampaio respondeu que a mitigação passa por mapear vulnerabilidades e tirar pessoas de áreas expostas.

Há uma necessidade urgente de mapear as vulnerabilidades para serem tomadas medidas de adaptação e mitigação. No estado de São Paulo, na costa, nas encostas da Serra do Mar, várias pessoas moram em situações de ocupação. Com chuvas extremas cada vez mais frequentes, aquelas pessoas a cada ano se tornam mais vulneráveis. Esse mapeamento para, infelizmente, ter que retirar essas pessoas dessas áreas seria o mais adequado. Gilvan Sampaio

O pesquisador também citou o uso de satélites para apoiar o resgate de pessoas e o mapeamento de áreas atingidas. Segundo ele, o INPE integra um esforço internacional com agências que direcionam imagens de alta resolução para regiões de desastre.

Existem 17 agências no mundo que controlam satélites, e no Brasil, na América do Sul, é o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Nós apontamos, entre aspas, todos os satélites para aquela região justamente para auxílio às equipes de resgate. Gilvan Sampaio

O UOL News vai ao ar de segunda a sexta-feira em duas edições: às 10h, com apresentação de Fabíola Cidral, e às 17h, com Diego Sarza.

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