CBF pede à Conmebol rigor contra mais diplomas falsos de treinador
O registro de Diego Souza como treinador do Joinville no Boletim Informativo Diário (BID) foi cancelado pela CBF na manhã desta quinta-feira (8). O caso foi encaminhado à Comissão de Ética da Confederação Brasileira de Futebol e à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), para apuração de responsabilidades pelo uso de uma licença de treinador considerada falsa.
A história veio à tona a partir da reportagem de Joanna de Assis, publicada no UOL Esporte , que revelou um esquema de venda de diplomas falsos de treinador envolvendo ex-jogadores brasileiros e sul-americanos. O responsável pelas negociações seria Alejandro Mancuso, ex-jogador de Flamengo e Palmeiras e ex-auxiliar de Diego Maradona na seleção argentina. Os documentos eram apresentados como licenças emitidas pela Associação de Técnicos do Futebol Argentino (ATFA).
O Regulamento Geral de Registros da CBF estabelece que compete aos clubes assegurar a veracidade dos documentos inseridos no Sistema Nacional de Registros. Apesar disso, a própria Confederação realiza a checagem das licenças dos treinadores que participam de competições nacionais.
O Joinville, porém, disputa atualmente a Copa Santa Catarina, torneio estadual. Por isso, a documentação utilizada para registrar Diego Souza não havia passado pela fiscalização realizada pela CBF para as competições organizadas nacionalmente.
A Confederação está cobrando da Conmebol maior rigor na fiscalização dos diplomas de treinadores apresentados na América do Sul, especialmente diante do aparecimento de documentos supostamente emitidos por entidades argentinas. No caso das licenças comercializadas por Mancuso, entretanto, a CBF entende que a ATFA não tem responsabilidade, uma vez que os documentos são falsificados e não foram emitidos pela associação.
Após verificar os registros, a CBF constatou que Diego Souza foi o único profissional a utilizar um desses diplomas falsos da ATFA para obter inscrição no BID. Outros ex-jogadores citados na investigação, embora tenham adquirido documentos por intermédio de Mancuso, atuam como treinadores com registros obtidos por meio da formação regular, após cumprirem as etapas exigidas pela CBF Academy, por exemplo.
O cancelamento do registro de Diego Souza é, portanto, a primeira consequência administrativa concreta do caso no âmbito da CBF. A apuração agora deverá esclarecer as circunstâncias da apresentação do documento, as responsabilidades do treinador e do clube e eventuais infrações às normas da entidade.
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