Carbono Oculto denuncia empresário que administra indústria em Dourados
Empresário com atuação em Dourados, César Cirne Leal está entre as 16 pessoas denunciadas pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo) por suspeita de participação em uma organização criminosa que desviava metanol para adulterar combustíveis vendidos em postos da Grande São Paulo.
Protocolada nesta quarta-feira (26), a denúncia é resultado das operações Carbono Oculto, sobre a infiltração do crime organizado na cadeia de combustíveis.
Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), a organização funcionou de maneira contínua entre 2017 e 2025 e também utilizou empresas e instituições financeiras para lavar o dinheiro obtido com as fraudes em Mato Grosso do Sul e outros 6 estados.
Embora esteja radicado em São Paulo, Cirne mantém ligação empresarial e judicial com Mato Grosso do Sul.
Ele aparece como sócio-administrador da Oreonn Indústria e Comércio de Óleos Vegetais e Químicas Ltda., que possui uma unidade no Distrito Industrial de Dourados.
A filial, aberta em agosto de 2022, está registrada na Avenida 2 e declara como atividade principal a fabricação de óleos vegetais em bruto.
A matriz da empresa fica em Barueri, na região metropolitana de São Paulo, e também é administrada por Cirne.
O empresário assumiu o comando societário da Oreonn em novembro de 2015.
A companhia utiliza ou já utilizou o nome fantasia Biocar Química e tem registros relacionados à antiga Biocar Indústria e Comércio de Óleos Vegetais e Biodiesel Ltda., que instalou uma usina de biodiesel em Dourados.
A Biocar foi inaugurada em 2008 como a primeira usina do gênero em Mato Grosso do Sul, fechando em 2019.
Na época, o empreendimento previa investimentos superiores a R$ 2 milhões, parte financiada pelo FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste), para produzir biodiesel e óleo vegetal.
A empresa chegou a constar na relação de produtores de biodiesel autorizados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
Posteriormente, perdeu o registro de produtora e passou a aparecer em ações judiciais envolvendo cobranças, execuções e credores.
César também figura em processos que tramitaram na Justiça de Mato Grosso do Sul.
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