Empresas têm mais dados do que nunca. Por que ainda tomam decisões ruins?
Nunca houve tantos dados disponíveis para orientar as decisões das empresas.
Dashboards atualizados em tempo real, sistemas capazes de cruzar informações e ferramentas de inteligência artificial prometem transformar grandes volumes de dados em análises cada vez mais sofisticadas.
Ainda assim, decisões ruins continuam acontecendo.
O paradoxo está menos na quantidade de informação disponível e mais na capacidade das organizações de interpretá-la, segundo Ricardo Cappra, cientista de dados e filósofo da tecnologia.
O excesso pode provocar “infoxication”, ou seja, uma espécie de intoxicação informacional e dificultar a distinção entre aquilo que realmente importa e o que apenas aumenta o ruído no processo decisório.
“A complexidade informacional aumentou, então a única forma de eu aperfeiçoar o modelo de decisão é se eu tiver consciência sobre isso”, diz Cappra durante participação da terceira temporada do podcast É Mais que Tech , uma realização da Senior Sistemas em parceria com o Conexão InfoMoney.
Isso também vale para as ferramentas criadas para organizar esses dados.
Cappra observa que as empresas passaram a produzir mais dashboards do que conseguem efetivamente consumir.
Em vez de resolver o problema, essa multiplicação pode apenas transportá-lo para outra etapa: os dados estão organizados, mas continuam sendo mais numerosos do que a capacidade humana de interpretá-los.
Jessica Ariane, head-executiva de HCM na Senior Sistemas, identifica outro risco: transformar a análise de dados em um processo burocrático, desconectado da decisão que deveria apoiar.
Há empresas, exemplifica, que alimentam e apresentam dashboards periodicamente sem saber exatamente quais resultados aquela rotina pretende produzir.
Para a executiva, o dado deve servir como suporte, mas ainda cabe à capacidade cognitiva e à inteligência humana contextualizar as informações e transformá-las em decisões.
Mais dados exigem melhores perguntas Para Cappra, a abundância de informação aumenta a importância do pensamento crítico.
Quanto maior a “complexidade informacional”, maior a necessidade de compreender como os dados foram construídos, quais parâmetros foram utilizados e quais vieses podem estar presentes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.