Gestante indígena relata dificuldades para realização de cesárea em maternidade de Roraima
Maternidade Nossa Senhora de Nazareth (Foto: Wenderson Cabral/FolhaBV) Uma gestante indígena, identificada como Elisiene Cruz Peres, denunciou dificuldades no atendimento médico e na realização de uma cesárea considerada por ela como necessária durante acompanhamento de uma gravidez de risco em Roraima .
Segundo o relato, Elisiene foi encaminhada à maternidade no dia 20 de agosto por uma equipe de saúde de sua comunidade de origem.
Ela afirma que já havia sido orientada anteriormente por uma médica obstetra a retornar à unidade quando completasse 39 semanas de gestação, momento em que, de acordo com essa primeira avaliação, seria indicada a realização de uma cesariana devido à posição do bebê, ao peso elevado e a sintomas de falta de ar que poderiam comprometer a gestação.
A gestante relata, no entanto, que ao retornar à maternidade, não houve indicação imediata para o procedimento.
De acordo com sua versão, durante o atendimento, foram registrados batimentos cardíacos baixos do bebê, além de queixas de dores pélvicas e dificuldade respiratória.
Ainda assim, ela afirma que foi orientada a aguardar evolução do trabalho de parto.
Elisiene também menciona histórico de cesariana anterior e afirma possuir dificuldade de dilatação, condição que, segundo ela, foi informada à equipe médica.
Mesmo assim, relata que recebeu orientação para retornar e aguardar o avanço da dilatação.
Por ser do interior do estado, a gestante foi encaminhada à Casa de Saúde Indígena (Casai), onde permanece hospedada.
No local, segundo o relato, recebeu atendimento médico e novos encaminhamentos para tentativa de realização da cesárea.
Ainda assim, ela afirma que, ao retornar à maternidade, o procedimento não foi autorizado.
A paciente diz que, nos dias seguintes, apresentou episódios de sangramento e evolução irregular da dilatação, além de relatar ausência de movimentos fetais em determinados momentos.
Ela também aponta divergências entre avaliações médicas sobre o estágio da dilatação.
De acordo com Elisiene, mesmo diante dos sintomas e do avanço da gestação — atualmente em 39 semanas e 4 dias —, a orientação recebida teria sido aguardar até 42 semanas para reavaliação da possibilidade de cirurgia, o que, segundo ela, aumenta sua preocupação com a saúde do bebê.
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