Saída de estrangeiros já é a 3ª maior desde 2008: O que esperar agora, segundo o JP Morgan
O investidor estrangeiro já retirou quase R$ 20,5 bilhões da bolsa brasileira em agosto , considerando o acumulado do mês até o última terça-feira (18), e o JP Morgan não vê a retomada do fluxo positivo no curto prazo.
Em relatório, os analistas do banco avaliam que, em oito dos nove períodos de fortes saídas mensais analisados, os fluxos permaneceram negativos nos três meses seguintes após o evento de “saída extrema”.
Por aqui, a “saída extrema” aconteceu em 11 de agosto, quando os ‘gringos’ sacaram R$ 4,72 bilhões da B3 e resultou em uma queda de 2,5% do Ibovespa ( IBOV ) recuou , que v oltou ao menor nível desde janeiro, aos 167 mil pontos.
O gatilho foi o rebaixamento da recomendação de Brasil, de compra para neutra, pelo JP Morgan, citando piora do crédito local, proximidade das eleições e juros elevados por mais tempo.
Desde então, mais de R$ 13 bilhões em fluxos de capital estrangeiro deixaram o mercado acionário brasileiro.
“Um fator agravante desta vez é que houve entradas enormes no primeiro trimestre, de cerca R$ 53,4 bilhões, perdendo apenas para o primeiro trimestre de 2022, quando começou a guerra entre Rússia e Ucrânia”, destacou o banco.
Vale destacar que agosto registra o terceiro maior fluxo de saída mensal desde 2008, atrás apenas do meses de fevereiro e março de 2020, início da pandemia de Covid-19 — em que os “gringos” sacaram cerca de R$ 21 bilhões e R$ 24,2 bilhões, respectivamente.
Para a bolsa, o pior já passou? De acordo com os analistas do banco,”pode-se argumentar que os resgates já foram praticamente concluídos” neste mês de agosto.
Desde 2008, houve apenas nove episódios em que a relação entre o fluxo mensal e a capitalização de mercado ficou abaixo de -0,3%.
Desses, dois ocorreram durante a crise financeira global e outros dois na pandemia de Covid-19.
Nesses períodos de “saídas extremas”, o Ibovespa registrou queda média de 11,3%, resultado fortemente influenciado pelos recuos de cerca de 25% observados durante a crise financeira global e a pandemia.
Excluídos esses dois episódios, a perda média do índice ainda seria de 6,7% no mês respectivo do evento.
Confira: Mês de “fluxo de saída extremo” Fluxo/Capitalização de mercado Retorno do IBOV Jun-08 -0,31% -10,4% Jul-08 -0,36% -8,5% Out-08 -0,34% -24,8% Jan-20 -0,40% -1,6% Fev-20 -0,48% -8,4% Mar-20 -0,77% -29,9% Ago-20 -0,31% -5,1% Mai-26 -0,30% -7,2% Ago-26 -0,42% -5,4% Média -11,3% Mediana -8,4% Ex-outubro de 2008 e março de 2020 — Média -6,7% Ex-outubro de 2008 e março de 2020 — Mediana -7,2% Liquidação mensal atual em 20 de agosto -5,7% Fonte: Bloomberg Finance L.P.; J.P.
Morgan Em agosto, o Ibovespa acumula queda de 5,65% até o momento.
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