Aumento do Bolsa Família não é medida eleitoreira e está dentro do Orçamento, diz Durigan
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que o aumento de 15% no Bolsa Família, anunciado nesta semana, a menos de um mês das eleições presidenciais, tenha caráter meramente eleitoreiro.
Segundo ele, a medida “não implica aumento geral da despesa” do governo federal e apenas reajusta o benefício pela inflação “para garantir o poder de compra” das famílias beneficiárias do Bolsa Família.
“Nós fizemos o dever de casa, não houve crédito extraordinário como no governo passado, não estamos falando em dar calote nos precatórios e nos governadores.
O aumento já está cabendo no Orçamento brasileiro”, afirmou o chefe da equipe econômica em entrevista veiculada neste sábado (19) pela CNN Brasil.
O governo federal detalhará na próxima quinta-feira (24) o pacote de medidas fiscais que permitirão o aumento do Bolsa Família.
Espera-se que a medida gere impacto de R$ 5,8 bilhões no Orçamento deste ano e de R$ 22,7 bilhões no do próximo ano, conforme estimativas do Palácio do Planalto.
“Esses R$ 5,8 bilhões vão sair de algum lugar, e nós vamos acomodar.
Já anunciamos o compromisso de, no dia 24 de setembro, mostrar os gastos previdenciários que vão sair de cena para dar lugar ao Bolsa Família para esse ano, e a mesma coisa para ano que vem”, disse Durigan.
O argumento do governo é que o reajuste busca repor as perdas causadas pela inflação de 15,04% acumulada entre março de 2023, quando entrou em vigor a reformulação do programa, e agosto deste ano.
O índice usado para a correção é o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que abrange as famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos.
A alta registrada pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) no mesmo período foi de 16,3%.
Se fosse considerada a data em que o valor passou a R$ 600, em agosto de 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, a correção seria de 17,5%, para R$ 705, pelo INPC.
O governo também continua trabalhando em medidas de endurecimento contra as bets, mas “ainda não há nada definido”, afirmou Durigan.
Nesta sexta-feira (18), durante comício em Guarulhos (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar a apoiadores que, se depender da sua vontade pessoal, vai “acabar com as bets”.
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