Como o Brasil se tornou válvula de escape da produção de carros da BYD?
O Brasil foi o destino de um quarto de todos os carros exportados pela BYD no primeiro semestre deste ano. Com os incentivos dados pelo governo brasileiro para a importação de veículos eletrificados, a retração das vendas no mercado chinês e as barreiras para veículos importados em grandes mercados como Estados Unidos, a fabricante intensificou os embarques ao país: de janeiro a junho, foram 194,7 mil veículos, um crescimento de 140% em relação ao primeiro semestre de 2025.
Com isso, o Brasil passou a receber 10,7% da produção global da companhia. Os dados são da Gasgoo, plataforma chinesa especializada no setor automotivo, e da própria BYD.
Nenhum mercado externo cresceu tão rapidamente quanto o Brasil para a BYD. O número de carros exportados para o Brasil foi 231% maior do que o destinado à Austrália, segundo maior destino da montadora. Para lá, foram enviados 58,8 mil carros da marca nos seis primeiros meses do ano.
As exportações totais da companhia avançaram 67,8% no primeiro semestre — o que mostra que o Brasil cresce mais para a empresa do que suas vendas internacionais em geral.
Os números indicam ainda que o Brasil se tornou um mercado capaz de amenizar as dificuldades da BYD, cujas ações recuaram 23% nos últimos 12 meses e cujo lucro líquido caiu 20,5% no primeiro semestre deste ano.
Na China, o excesso de oferta de veículos, a retirada de isenções fiscais para carros eletrificados e a guerra de preços entre as montadoras têm prejudicado os resultados das empresas do setor. No primeiro semestre, as vendas de automóveis no país diminuíram 4,1%.
No caso da BYD, os desafios do mercado chinês fizeram a receita doméstica cair 31% entre janeiro e junho, na comparação com o mesmo período de 2025. Enquanto isso, a receita com vendas internacionais avançou 34% e chegou a 52,6% do total. Um ano antes, a participação do exterior era de 36%.
Diante desse cenário, a decisão do governo brasileiro de renovar a cota de importação com alíquota zero para carros eletrificados desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD) deve ajudar a sustentar o crescimento das vendas internacionais do grupo enquanto o mercado chinês segue fraco. Com a medida, a BYD poderá continuar importando veículos para o Brasil sem pagar o imposto até o fim do ano. Procurada, a companhia não quis comentar o assunto.
"A BYD está com essa questão de para onde enviar a produção. E, aí, o Brasil se consolida como o mercado mais importante com o auxílio dessa cota", diz um executivo de uma empresa concorrente.
O UOL conversou com quatro executivos do alto escalão de montadoras que competem com a BYD e que, nos últimos meses, pressionaram o governo contra os benefícios que favorecem as importações da empresa.
De acordo com um desses profissionais, nenhuma montadora havia feito, neste ano, solicitação formal pela prorrogação da cota de alíquota zero. A iniciativa partiu do próprio governo do presidente Lula.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.