Desenrola 2.0 cortou R$ 22,4 bi em dívidas, mas famílias seguem sufocadas
O Desenrola 2.0 ajudou a reduzir o endividamento do brasileiro em R$ 22,4 bilhões, mas não impediu que o volume de dívidas das famílias continuasse perto de níveis recordes quando considerados os indicadores gerais do mercado brasileiro.
Nova edição do Desenrola reduziu a dívida das famílias brasileiras em R$ 22,4 bilhões. Após essa redução no valor das dívidas que foram renegociadas, as pendências financeiras desse estoque de contas em atraso caiu para R$ 5,71 bilhões, de acordo com dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e do Ministério da Fazenda.
Cerca de 10 milhões de débitos foram renegociados ou reduzidos pelo programa. Ao todo, foram realizadas 5,54 milhões de operações de crédito, que tiveram um desconto médio de 80% para facilitar o pagamento das pendências financeiras entre os meses de maio e agosto.
Iniciativa ajudou a reorganizar o orçamento doméstico. Segundo a Febraban e profissionais do setor financeiro, os descontos expressivos e o processo simplificado de renegociação facilitaram a recuperação do crédito, pelos bancos, e o retorno dos consumidores ao mercado.
O Desenrola é um bom programa de alívio financeiro para quem estava com nome sujo e não conseguia alugar um imóvel ou abrir uma conta e começa a ter essa oportunidade de novo. Paula Bazzo, planejadora financeira da Planejar
Endividamento das famílias permanece próximo ao patamar mais elevado da história. Após se situarem no maior nível da história em janeiro (49,92%), as dívidas com o Sistema Financeiro Nacional em relação à renda acumulada dos últimos 12 meses recuaram levemente entre maio (49,83%) e junho (49,75%). Todos os níveis são os mais elevados para os meses de toda a série do BC (Banco Central), coletada desde 2005.
A inadimplência no Brasil atingiu um patamar crítico porque deixou de ser um desvio pontual de consumo e virou mecanismo de sobrevivência. José César da Costa, presidente da CNDL
Comprometimento da renda dos consumidores também permanece em nível recorde. As estatísticas monetárias e de crédito do BC também indicam que o volume de dívidas a pagar comprometia 28,9% da renda das famílias brasileiras em junho. O indicador cresceu e renova mensalmente o maior percentual da série histórica desde abril. "O Desenrola devolve por alguns meses um controle do dia a dia, mas o consumidor não constrói a capacidade de absorver o próximo imprevisto", diz Bazzo.
Composição da dívida representa problema que leva os devedores à inadimplência. Bazzo explica que o endividamento atual está associado ao cartão de crédito, que cobra uma taxa média de juros acima de 400% ao ano, a mais elevada do sistema financeiro. "Ter uma dívida não representa um problema. A questão é o custo dessa dívida e a fatia do orçamento que ela ocupa. [...] Com esse custo, qualquer fatura que não é paga integralmente dobra em poucos meses", afirma ela.
Não adianta falar só em remediar o problema sem tratar os sintomas que levam à dívida. A causa está no comportamento, na falta de planejamento e, obviamente, na falta de reserva financeira. Paula Bazzo, planejadora financeira da Planejar
Número total de inadimplentes caiu 1,89% em agosto, para 73,71 milhões de brasileiros.
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